sexta-feira, 13 de maio de 2016

Novo (?) Ministro Chefe do CSI. Eles estão de volta. Cuidado

Fernando MoraisSeguir
5 h
tirando a máscara do governo de salva cão nacional.
eu estava há alguns dias em busca de um verbete-capivara do general sérgio etchegoyen, desde ontem ministro-chefe do gsi de temer, e de sua inacreditável árvore genealógica. e eis que me chega, via facebook, esta pérola produzida pelo cláudio camargo. só os dois ps finais são de minha autoria.
Não terá sido por acaso que o escolhido por Temer para chefiar o Gabinete de Segurança Institucional tenha sido o general Sérgio Etchegoyen. Ele ganhou notoriedade dois anos atrás ao assinar, com a família, uma nota contra as conclusões da Comissão Nacional da Verdade contra seu pai, o general Leo Guedes Etchegoyen, acusado de violação de direitos humanos na ditadura.
Leo Guedes Etchegoyen foi secretário de Segurança Pública do Rio Grande do Sul logo depois do golpe de 1964. Nesta condição, recebeu o americano Dan Mitrione, especialista em métodos de tortura contra presos políticos, para ministrar aulas à polícia do Estado. Posteriormente, foi assessor do ditador Emílio Garrastazu Médici e chefe do Estado Maior do II Exército, quando esta unidade era comandada pelo torcionário general Milton Tavares, o sinistro “caveirinha”. Como chefe do Estado-Maior, Etchegoyen fez rasgados elogios ao tenente-coronel Dalmo Cyrillo, um dos maiores torcionários do DOI-Codi do II Exército.
Já o coronel Cyro Guedes Etchegoyen, tio do general Sérgio, foi chefe da seção de Informações e Contrainformações do Centro de Informações do Exército (CIE), também sob as ordens de Milton Tavares. Segundo depoimento do coronel Paulo Malhães à CNV, Etchegoyen era a autoridade do CIE responsável pela Casa da Morte, em Petrópolis (RJ).
O avô de Sérgio, o general Alcides Etchegoyen, anticomunista furibundo, sucedeu o facínora Filinto Müller na chefia de Polícia do Distrito Federal na ditadura do Estado Novo. Ele liderou a chapa dos entreguistas que venceu a eleição do Clube Militar em 1952 contra o general nacionalista Estillac Leal. Nestas condição, lutou contra a criação da Petrobras e esteve entre os golpistas que tentaram impedir a posse de Juscelino Kubitschek, em 1955, mas foram barrados pelo contragolpe do general Lott.
ps.: o general sergio etchegoyen deveria passar para a reserva dentro de dois meses. de pijama só teria autoridade sobre os netos. tentando evitar o iminente ostracismo, o general articulava, com o apoio de washington-dc (onde ele serviu como adido militar durante os dois últimos anos do governo fhc)), para ser nomeado para um posto mais modesto, o de chefe do estado-maior conjunto das forças armadas. ganhou coisa muito melhor: o cargo de ministro-chefe do gsi. há ministros dos evangélicos, ministros da bala, ministros do boi. o general-de-exército sergio westphalen etchegoyen é o representante dos estados unidos no “governo de salva cão nacional”
ps2: o dan mitrione a que se refere o claudio camargo era um norte-americano, professor de tortura da cia que atuou no brasil e, depois, no uruguai. foi executado pelos guerrilheiros tupamaros em montevidéu no dia 10 de agosto de 1970

sexta-feira, 13 de maio de 2016 O “ministério de notáveis” corruptos Por Altamiro Borges

A mídia golpista até tentou embelezar o governo do Judas Michel Temer. Difundiu que o "presidente interino" anunciaria um "ministério de notáveis" logo após a confirmação do golpe contra Dilma na infame votação do Senado. Mas bastou o vice-impostor tomar "posse" nesta quinta-feira (12) para a primeira foto oficial estampar a composição reacionária, machista e corrupta do novo governo. Dos 23 ministros empossados - todos homens, brancos e ricos -, a maioria tem processos na Justiça. São políticos mais sujos do que pau de galinheiro. Confira a biografia - ou ficha corrida - de alguns dos "notáveis" corruptos, direitistas e oportunistas do governo golpista:


1- Eliseu Padilha (Casa Civil)

O peemedebista gaúcho faz parte do núcleo íntimo de Michel Temer. Já foi investigado por ocultação de bens, formação de quadrilha, corrupção passiva, peculato, improbidade administrativa e acusado de irregularidades quando era secretário do Trabalho do governador Antonio Brito (PMDB). Em 2014, ele voltou a ser réu no famoso "escândalo dos precatórios", sendo acusado de causar prejuízos aos cofres públicos em acordos celebrado pelo extinto Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER). Eliseu Padilha também é alvo de ações no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no Supremo Tribunal Federal (STF) e tem seu nome citado em processos nos Tribunais Regionais Federais da 1ª e da 4ª Região, no Rio Grande do Sul e no Distrito Federal.

2- Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo)

Outro integrante do núcleo de poder do presidente golpista, o peemedebista baiano ganhou fama no escândalo dos "anões do orçamento", em 1993. Ele foi acusado de manipular emendas parlamentares com o objetivo de desviar dinheiro através de entidades sociais fantasmas ou de empreiteiras. Essa relação promíscua com empresários corruptos também rendeu outras graves denúncias. Mensagens apreendidas recentemente pela Polícia Federal na Operação Lava-Jato revelaram que o chefão do PMDB teria usado sua influência política para atuar em favor dos interesses da construtora OAS.

3- Henrique Eduardo Alves (Turismo)

Outro peemedebista ligado intimamente a Michel Temer, o político do Rio Grande do Norte é alvo de ação civil por improbidade administrativa e enriquecimento ilícito movida pelo Ministério Público Federal. Recentemente, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu abertura de inquérito contra a velha raposa com base nas trocas de mensagens entre o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e o dono da OAS, Léo Pinheiro. Em dezembro de 2015, a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão no apartamento de Henrique Eduardo Alves, em Natal (RN). A ação fez parte das investigações da Lava-Jato e a ordem das buscas partiu do STF. Além disso, durante dois anos o Tribunal de Contas da União (TCU) investigou o ex-presidente da Câmara Federal por suspeitas de utilizar o seu cargo para obter contratos com órgãos públicos e empresas estatais.

4- Moreira Franco (Coordenação de Infraestrutura)

Homem de confiança do Judas, o peemedebista carioca já protagonizou vários casos escrabrosos. Em 1982, quando candidato ao governo do Rio de Janeiro, ele foi acusado de tentar fraudar as eleições no famoso "escândalo Proconsult". Na época, o correntista suíço Eduardo Cunha já era um dos auxiliares do novo ministro. 

5- Romero Jucá (Planejamento)

O senador do PMDB de Roraima possui longa ficha corrida. Da compra de votos ao desvio de verbas públicas, passando por empréstimos ilegais em bancos públicos, ele é formalmente investigado pelo STF na Operação Lava-Jato. O seu nome aparece em acordos de delação premiada de executivos da Andrade Gutierrez e da UTC, que o acusaram de receber propina e doações eleitorais para interferir em favor das empreiteiras em contratos da Eletronorte e Eletronuclear. Ele também foi mencionado na Operação Zelotes, sendo acusado pelo lobista Alexandre Paes de cobrar cerca de R$ 15 milhões para aprovar emendas de interesse do setor automotivo. Como presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Romero Jucá foi alvo de investigação do Tribunal de Contas da União (TCU), acusado de cobrar propina para permitir a exploração ilegal de madeira em terras indígenas.

6- Alexandre Moraes (Justiça)

Um dos tucanos a compor o novo governo, ele ganhou fama como secretário de Segurança Pública de Geraldo Alckmin por sua truculência contra os estudantes que ocuparam as escolas estaduais. Em entrevista, Alexandre Moraes tratou os protestos dos movimentos sociais como "atos de guerrilha". Reportagens divulgadas em 2015 revelaram que seu nome aparecia, no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, como advogado em pelo menos 123 processos na área civil em favor da Transcooper - empresa acusada de promover lavagem de dinheiro para a quadrilha criminosa do PCC. Como advogado, Alexandre Moraes também defendeu um ex-diretor da Siemens envolvido no esquema de propinas do cartel de trens em São Paulo, o famoso "trensalão".

7- José Serra (Relações Exteriores)

Eterno derrotado em eleições presidenciais, o senador paulista é o mais importante quadro do PSDB no governo golpista. Apesar da blindagem da mídia amiga, seu nome já despontou em vários casos de corrupção. Durante o triste reinado de FHC, ele foi o mentor do criminoso processo da privatização das estatais. O livro "A privataria tucana", do jornalista Amaury Ribeiro, traz farta documentação do desvio de recursos públicos para os paraísos fiscais. Filha, cunhado e outros parentes do grão-tucano foram beneficiados na venda do patrimônio público. José Serra também deu início as negociatas com as multinacionais do setor de transporte de São Paulo, no escândalo conhecido do "trensalão tucano".

8- Bruno Araújo (Cidades)

O deputado federal do PSDB de Pernambuco, que ficou famoso ao dar o voto 342 no impeachment de Dilma, teve o seu nome grafado na planilha de pagamentos do "departamento de propina" da Odebrecht na Operação Lava-Jato.

9- Blairo Maggi (Agricultura)

O senador do PR do Mato Grosso, intitulado de "rei da soja", recebeu o "prêmio motosserra de ouro" por suas práticas de desmatamento ilegal. Segundo o Greenpeace, ele é responsável por pelo menos metade da devastação ambiental brasileira entre os anos de 2003 e 2004. Já o Instituto Nacional de Reforma Agrária (Incra) indica que Blairo Maggi e sua família concentram 45.115 hectares de terra, espalhados por 29 propriedades rurais. O latifundiário também tem em seu currículo inquéritos na Justiça. Entre outros processos, ele é investigado pelo Ministério Público Federal no inquérito aberto pelo STF para apurar os indícios da prática do crime de lavagem de dinheiro.

10- Maurício Quintella Lessa (Transportes)

O deputado federal Maurício Quintella Lessa (PR-AL) responde por processos judiciais, tanto no STF quanto no TRF. No Supremo, ele é algo de inquérito que apura peculato. Já no TRF, na Seção Judiciária de Alagoas, o parlamentar foi condenado por improbidade administrativa com dano ao erário e enriquecimento ilícito. De acordo com a sentença, o parlamentar participou de esquema para fraudar licitação para aquisição de merenda e transporte escolar em troca de propina, no período em que ocupou o cargo de secretário estadual de Educação.

11- Mendonça Filho (Educação e Cultura)

O líder do DEM está na lista da construtora Odebrecht apreendida pela Polícia Federal na 23ª fase da Lava-Jato, batizada de "Operação Acarajé". A planilha traz nomes de políticos que foram candidatos em 2014 e receberam repasses da empreiteira. Mendonça Filho responde também por irregularidades na prestação de conta junto ao Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE), na condição de presidente estadual dos demos.

12- Osmar Terra (Desenvolvimento Social e Agrário)

O deputado gaúcho já teve que responder ao Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul por irregularidades em suas gestões na Secretaria de Saúde e na prefeitura de Santa Rosa. Além disso, ele já foi alvo de inquérito no STF por suspeita de crime de sonegação de documentos e ainda pode ser investigado pelo STF por ter o seu nome citado em mensagens apreendidas pela Polícia Federal no celular do ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, condenado a 16 anos de prisão na Lava Jato.

13- Ricardo Barros (Saúde)

O deputado paranaense é investigado no STF por indício de direcionamento em licitação pública. Ele até tentou abortar a apuração, mas o ministro Luiz Fux aprovou o pedido da Procuradoria-Geral da República contra o parlamentar. Gravações telefônicas feitas em 2011 pelo Ministério Público do Paraná, com autorização da Justiça, trazem Ricardo Barros orientando um secretário da prefeitura de Maringá (PR) a construir um “acordo” entre duas agências de comunicação que disputavam licitação de publicidade da administração municipal, no valor de R$ 7,5 milhões.

14- Sarney Filho (Meio Ambiente)

Filho do ex-presidente, ex-governador ex-senador José Sarney, o deputado maranhense é investigado pelo Ministério Público por usar passagens áreas para voar ao exterior com a mulher e o filho. Além disso, ele foi atingido pela Lei da Ficha Limpa, mas conseguiu driblar a Justiça e se candidatar à Câmara Federal. Ele também foi condenado, pelo Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão, a pagar multa por prática de conduta vedada.

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quinta-feira, 31 de março de 2016

O Irmão OBAMA | Análise Não precisamos que o império nos entregue nada de presente. Nossos esforços serão legais e pacíficos, porque é nosso compromisso com a paz e a fraternidade de todos os seres humanos que vivemos neste planeta

Por Fidel Castro Ruz,
Postado originalmente no Granma
Os reis da Espanha trouxeram-nos os conquistadores e donos, cujas pegadas ficaram gravadas nos terrenos circulares atribuídos aos buscadores de ouro na areia dos rios, uma forma abusiva e vergonhosa de exploração cujos sinais ainda hoje podem ser advertidos, do ar, em muitos lugares do país.
O turismo hoje, em boa parte, consiste em mostrar as delícias das paisagens e degustar os alimentos requintados de nossos mares, e sempre que sejam compartilhadom com o capital privado das megacorporações estrangeiras, cujos ganhos se não atingem os bilhões de dólares per capita não são dignos de atenção alguma.
Já que fui obrigado a mencionar o tema devo acrescentar, principalmente para os jovens, que poucas pessoas percebem a importância de tal condição neste momento singular da história humana. Não direi que o tempo tenha sido perdido, mas não vacilo ao afirmar que não estamos suficientemente informados, nem vocês nem nós, dos conhecimentos e da consciência que deveríamos ter para enfrentar as realidades que nos desafiam. O primeiro a ser levado em conta é que nossas vidas são uma fração histórica de segundos, a qual é preciso compartilhar, ainda, com as necessidades vitais de todo ser humano. Uma das características deste é a tendência à sobrevalorização do seu papel, questão que contrasta, por outro lado, com o número extraordinário de pessoas que encarnam os sonhos mais elevados.
Ninguém, contudo, é bom ou é mau por si próprio. Nenhum de nós está desenhado para o papel que deve assumir na sociedade revolucionária. Em parte, nós os cubanos tivemos o privilégio de contar com o exemplo de José Martí. Pergunto, inclusive, se ele devia ter morrido ou não em Dos Rios, quando disse “para mim está na hora”, e avançou contra as forças espanholas entrincheiradas em uma sólida linha de defesa. Não queria retornar para os Estados Unidos e não haveria quem o fizesse retornar. Alguém tirou algumas folhas do seu diário. Quem arcou com essa pérfida culpa, que foi, sem dúvida, obra de algum intrigante inescrupuloso? Soube-se que existiam diferenças entre os chefes, porém jamais houve indisciplinas. “Quem tente apropriar-se de Cuba colherá o pó do seu solo alagado em sangue, se antes não perece na luta”, declarou o glorioso líder negro Antonio Maceo. Reconhece-se, igualmente, que Máximo Gómez foi o chefe militar mais disciplinado e discreto de nossa história.
Olhando de outro ângulo, como a gente não vai ficar admirada da indignação de Bonifacio Byrne quando, da distante embarcação que o trazia de retorno a Cuba, ao divisar outra bandeira junto da da estrela solitária, declarou: “Minha bandeira é aquela que jamais tem sido mercenária...” para acrescentar imediatamente uma das frases mais belas que jamais escutei: “Se desfeita em miúdos pedaços chega a estar minha bandeira algum dia... nosso mortos, erguendo os braços, ainda saberão defendê-la...” Tampouco esquecerei as palavras ardentes de Camilo Cienfuegos naquela noite, quando a várias dezenas de metros de nós, bazucas e metralhadoras de origem norte-americana nas mãos de agentes contrarrevolucionários apontavam para nós. Obama tinha nascido em 1961, como ele próprio explicou. Mais de meio século decorreria desde aquele momento.
Contudo, vejamos como pensa nosso ilustre visitante:
“Vim aqui para deixar atrás os últimos sinais da guerra fria nas Américas. Vim aqui estendendo a mão de amizade ao povo cubano”. E imediatamente um dilúvio de conceitos, inteiramente novos para a maioria de nós:
“Ambos vivemos em um novo mundo que foi colonizado pelos europeus”. Prosseguiu o presidente norte-americano. “Cuba, tal como os Estados Unidos, foi constituída por escravos trazidos da África; tal como os Estados Unidos, o povo cubano tem herança de escravos e de donos de escravos”.
As populações nativas não existem para nada na mente de Obama. Tampouco disse que a discriminação racial foi varrida pela Revolução; que a aposentadoria e o salário de todos os cubanos foram decretados por esta antes que o senhor Obama completasse dez anos. O odioso costume burguês de contratar esbirros para que os cidadãos negros fossem expulsos de centros de lazer foi varrido pela Revolução Cubana. Esta ficaria gravada na história pela batalha que travou em Angola contra o apartheid, pondo fim à presença de armas nucleares em um continente de mais de um bilhão de habitantes. Esse não era o objetivo de nossa solidariedade mas sim o de ajudar aos povos de angola, Moçambique, Guiné-Bissau e outros da dominação colonial fascista de Portugal.
Em 1961, apenas um ano e três meses depois do triunfo da Revolução, uma força mercenária com canhões e infantaria blindada e com aviões foi treinada e acompanhada de navios de guerra e porta-aviões dos Estados Unidos e atacou de surpresa nosso país. Nada poderá justificar aquele aleivoso ataque que custou ao nosso país centenas de vidas, entre mortos e feridos. Da brigada de assalto pró-ianque, em nenhuma parte consta que tivesse podido ser evacuado nenhum mercenário. Aviões ianques de combate foram apresentados nas Nações Unidas como aparelhos cubanos revoltados.
É bem conhecida a experiência militar e o poderio desse país. Na África pensaram igualmente que a Cuba revolucionária seria igualmente posta fora de combate. O ataque pelo Sul de Angola por parte das brigadas motorizadas da África do Sul racista levou-as até as proximidades de Luanda, a capital desse país. Aí se iniciou a luta que se prolongaria não menos de 15 anos. Nem sequer falaria disto a menos que tivesse o dever elementar de contestar o discurso de Obama no Grande Teatro de Havana Alicia Alonso.
Tampouco tentarei dar detalhes, a não ser que ali foi escrita uma página de honra na luta pela libertação do ser humano. De certa forma eu desejava que a conduta de Obama fosse correta. Sua origem humilde e sua inteligência natural eram evidentes. Mandela ficou preso a vida toda e se tinha convertido em um gigante da luta pela dignidade humana. Um dia chegou às minhas mãos uma cópia do livro no qual se conta uma parte da vida de Mandela e, surpresa!, o prólogo tinha sido escrito por Barack Obama. Folhei-o rapidamente. Era incrível o tamanho da minúscula letra de Mandela precisando dados. Vale a pena ter conhecido homens como aquele.
Acerca do episódio da África do Sul devo assinalar outra experiência. Eu estava realmente interessado em conhecer mais detalhes sobre a forma em que os sul-africanos tinham adquirido as armas nucleares. Somente tinha a informação muito precisa de que não eram mais de 10 ou 12 bombas. Uma fonte certa seria o professor e pesquisador Pero Gleijeses, quem tinha redigido o texto de “Missões em conflito: Havana, Washington e África 1959-1976”; um trabalho excelente. Eu sabia que ele era a fonte mais segura do que tinha acontecido e assim o comuniquei a ele: respondeu-me que ele não tinha falado mais do assunto, porque no texto tinha respondido as perguntas do companheiro Jorge Risquet, quem tinha sido embaixador ou colaborador cubano em Angola, muito amigo dele. Localizei Risquet que, entre outras ocupações, estava acabando um curso ao que faltavam ainda várias semanas. Essa tarefa coincidiu com uma viagem bastante recente de Piero ao nosso país; eu tinha advertido a Piero que Risquet já tinha uma idade avançada e que sua saúde não era ótima. Poucos dias depois ocorreu o que eu estava temendo: Risquet piorou e faleceu. Quando Piero chegou não havia nada a fazer exceto promessas, mas eu já tinha conseguido informação acerca do relativo a essa arma e a ajuda que a África do Sul racista tinha recebido de Reagan e de Israel.
Não sei o que terá de dizer Obama sobre esta história. Desconheço o que ele sabia ou não, embora seja muito duvidoso que não soubesse absolutamente nada. Minha modesta sugestão é que reflita e não tente agora elaborar teorias sobre a política cubana.
Há uma questão importante:
Obama proferiu um discurso no qual lança mão das palavras mais adocicadas para expressar: “Já é hora de esquecer-nos do passado, deixemos o passado, olhemos para o futuro, olhemos juntos o futuro, um futuro de esperança. E não vai ser fácil, vai haver desafios e a esses vamos dar tempo; mas minha estadia aqui me dá mais esperanças acerca do que podemos fazer juntos como amigos, como família, como vizinhos, juntos”.
Supõe-se que cada um de nós corria o perigo de sofrer um infarto após escutar essas palavras do presidente dos Estados Unidos. Após um bloqueio desapiedado que já durou quase 60 anos, e aqueles que morreram nos ataques mercenários a navios e portos cubanos, um avião regular cheio de passageiros feito explodir em pleno vôo, invasões mercenárias, múltiplos atos e violência e de força?
Ninguém acalente a ilusão de que o povo deste nobre e abnegado país renunciará à glória e os direitos e à riqueza espiritual que ganhou com o desenvolvimento da educação, a ciência e a cultura.
Advirto, ademais, que somos capazes de produzir os alimentos e as riquezas espirituais de que precisamos com o esforço e a inteligência de nosso povo. Não necessitamos que o império nos entregue de presente nada. Nossos esforços serão legais e pacíficos, porque é nosso compromisso com a paz e a fraternidade de todos os seres humanos que vivemos neste planeta.
Fidel Castro Ruz
27 de março de 2016

segunda-feira, 14 de março de 2016

Você acha que Moro quer combater a corrupção? Então leia esse texto.

Você acha que Moro quer combater a corrupção? Então leia esse texto.


Sergio_Moro90_Varias
Jorge Furtado, via Brasil 247 em 8/3/2016
Lula é o cara chato que cobrava propina da UTC?Não. Esse era o Aécio.
Lula recebia 1/3 da propina de Furnas?Não. Esse é o Aécio também.
O helicóptero com 450kg de cocaína era do amigo do Lula?Não. Era do amigo do Aécio.
Lula comandava o estado que roubou R$1 bilhão do Metrô e da CPTM?Não. Esses são o Serra e o Alckmin.
Lula tá envolvido no roubo de R$2 bilhões da merenda?Não. É o Alckmin também.
Lula pegou emprestado o jatinho do Youssef?
Não. Esse era Álvaro Dias.
Lula foi o cara que montou o esquema Petrobras com Cerveró, Paulo Roberto Costa e Delcídio?Não. Esse era o FHC.
Lula nomeou o genro diretor da Petrobras?Não. Foi o FHC também.
Lula é o compadre do banqueiro André Esteves?Não. Esse era o Aécio, de novo.
Lula é meio-primo de Gregório Marin Preciado, aquele que levou US$15 milhões na venda de Pasadena?Não. Esse é o Serra, aquele que a Lava-Jato apresenta com tarja preta pra imprensa.
Lula foi descoberto com uma dezena de contas no exterior, ameaçou testemunhas, prejudicou alguma investigação?Não. Esse é o Cunha, aliado da oposição.
Lula ameaçou empresários, exigiu US$5 milhões, só de um deles?Não. Esse também é o Cunha, o homem do impeachment da oposição.
O filho do Lula aparece na revista de milionários Forbes?Não. É a filha do Serra…
Isso é para quem acha que Moro e turma querem combater a corrupção.
Jorge Furtado é cineasta.
***
Atualizado à 14:25, de 11/3/2016. O Limpinho recebeu um comentário afirmando que o texto acima é de Malu Aires. Com isso, na dúvida, publicamos os dois.
Malu Aires, via Facebook em 27/1/2016Depois de pôr em liberdade todos os ex-diretores da Petrobras que roubaram a empresa por mais de 20 anos, engordando caixas dos partidos PSDB, PMDB e PP, operadores que já confessaram em juízo seus crimes, já devolveram, inclusive, parte do que foi roubado, outra parte, descoberta, até por autoridades estrangeiras… criminosos que receberam prêmios em dinheiro, depois de “presos”…
Me diga o que o time que já soltou Youssef um dia, que já engavetou todas as provas e contas secretas dos desvios bilionários do Banestado, pretende?
Querem Lula?
Mas Lula é o cara chato que cobrava propina da UTC?Não. Este era o Aécio.
Lula pegou emprestado o jatinho do Youssef?Não. Este era o Álvaro Dias.
Lula foi o cara que montou o esquema dentro da Petrobras com Cerveró, Paulo Roberto Costa e Delcídio?Não. Este era o FHC.
Lula é o amigo do banqueiro André Esteves?Não. Este era o Aécio, de novo.
Lula é meio-primo de Gregório Marin Preciado, aquele que levou US$15 milhões na venda de Pasadena?Não. Este é o Serra. Aquele que a Lava-Jato apresenta com discreta tarja preta pra imprensa.
Lula foi descoberto com uma dezena de contas no exterior, ameaçou testemunhas, prejudicou alguma investigação?
Não. Este é o Cunha.
Lula ameaçou empresários, exigiu R$5 milhões de dólares, só de um deles?Não. Este também é o Cunha.
Se a Lava-Jato e seus operadores não estão montando um esquema de desvio de investigações, um esquema pra lavar a grana suja dos maiores saqueadores da República, não vejo outra explicação pra essa palhaçada.
Não, meus amigos, eles não querem acabar com o PT ou se vingar do melhor governo que este país já mereceu. Isso é consequência que, se vier, brindarão com champanhe em algum endereço chique de Brasília ou Higienópolis. Querem é limpar a barra dos parceiros do crime que pretendia vender a Petrobras mais barato que a Vale, desmontar nosso esquema de defesa militar e colocar este país num caos político que alimentasse um caos social, um caos econômico e um desgaste internacional, sem precedentes. Isto sim, valeria um grande brinde. E prêmio ainda mais vergonhoso que este aí.

terça-feira, 8 de março de 2016

MAR 7 O plano de prender Lula poderia ter acabado em tragédia


Por Jari Mauricio da Rocha

O que teria, de fato, atrapalhado os planos de levarem o ex-presidente Lula para Curitiba é umas das questões mais levantadas após a última tentativa da equipe de Moro.
Aeroporto de Congonhas, sexta-feira, 04 de março, cedo da manhã.
Soldados da polícia da aeronáutica estranham a movimentação de outros policiais armados.
Bloqueiam a entrada e não deixam eles entrarem no aeroporto. Não teriam reconhecido a farda que foi usada pela Polícia Federal, que estava fortemente armada.
Um dos soldados avisa ao coronel o que está ocorrendo.
O coronel fica furioso.
O reforço é chamado. Em poucos minutos a polícia da aeronáutica está preparada com centenas de homens para, se preciso for, confrontar os policias da PF.
A confusão é enorme, então descobre-se que o ex-presidente estava sendo conduzido. Neste momento, o coronel assume o comando do aeroporto e dá ordens para que cem homens da Polícia da Aeronáutica cerquem o jatinho que, segundo lhe informaram, levaria o ex-presidente Lula para Curitiba.
Mais tensão.
Sabe-se então que Lula está na sala da PF para interrogatório. Neste instante é aventada a decisão de invadir a sala para resgatar o ex-presidente. Há uma negociação, mas o coronel, que segundo consta é legalista, teria perguntado: “O que vocês pensam que estão fazendo com um ex-presidente?”.
Em meio a isso, o ex-deputado, professor Luisinho já estaria protestando contra a detenção de Lula e há uma baderna enorme defronte a sala da PF. Manifestantes contra Lula entram em êxtase.
Desmentidos surgem, mas o coronel do aeroporto não dá sinais de recuar. A PA permanece a postos, pronta para qualquer tentativa de condução de Lula.
A equipe da lava-jato desiste do plano A, que seria levar Lula à Curitiba – onde deputados de oposição já estariam comemorando.
Além disso, decidem reduzir o tempo do interrogatório, que era pra ser bem mais longo e, consequentemente, mais cansativo ao ex-presidente.
A Polícia da Aeronáutica, sob o comando do coronel, não arreda pé.
Diante do impasse, o juiz Sergio Moro teria dado ordens para abortar a operação.
O ex-presidente Lula é libertado.
A operação fracassou.
Quem forneceu essas informações, relatou tudo isso, exatamente desta forma.
Provavelmente quem esteve no local, naquela fatídica manhã de sexta-feira, possa ter visto parte desse impasse.
Sobre a veracidade desta versão, cabem duas questões:
De fato aconteceu desta maneira, a partir da ótica do narrador.
Ou, como disse a personagem do filme “Cortina de Fumaça”, Paul Benjamin, interpretado por William Hurt, após ouvir a história de natal de Auggie Wren (Harvey Keitel):
“Para se contar uma boa história tem-se que saber apertar as teclas certas. E nisso, você é mestre”.
Quando o narrador dessa história terminou de contar, me disse: “Podia ter acontecido uma tragédia. Foi muito tenso”.
A mim coube apenas a fidelidade do relato sem o uso de qualquer recurso literário.