sábado, 17 de março de 2018

Na hora que isto aqui explodir, Ruanda vai ser pouco, por Eugênio Aragão EUGÊNIO ARAGÃO /GGN 17/03

Na hora que isto aqui explodir, Ruanda vai ser pouco
por Eugênio Aragão
Terror? Niemals. Es ist Sozialhygiene. Wir nehmen diese Individuen aus dem Umlauf, wie ein Mediziner einen Bazillus aus dem Umlauf nimmt.”
[Trad. “Terror? Jamais! Isso é higiene social. Nos retiramos esses indivíduos de circulação, como um médico retira um bacilo de circulação.”] – Benito Mussolini, apud Joseph Goebbels, citado no artigo “Der Jude”, in Der Angriff, 21.1.1929.
Segunda-feira estive no Rio de Janeiro para um debate sobre a intervenção militar. Entre os debatedores estava Buba, moradora de Acari e ativista comunitária. Seu relato sobre a situação dos moradores de favelas e da periferia me deixou sem palavras. Não tinha nada a dizer diante do descalabro do drama vivido por essa enorme maioria de brasileiras e brasileiros, espremidos entre as balas da polícia-bandida e do tráfico opressor.
Buba vive perto de um beco que exala fedor de sangue coagulado, suor e fezes. Lá é frequente serem “desovados” cadáveres de moradores sumariamente executados pela criminosa repressão e pela repressão dos criminosos. A morte a tiros ali é rotina e, como disse Buba, não sabem os moradores diferenciar entre o que é uma ditadura e a tal “democracia” por que clama a burguesia da Zona Sul, ávida por consumir e viajar a Miami e Europa. Em Acari não há democracia e nunca houve, seja com Lula, com Dilma ou com os golpistas de hoje.
A execução da vereadora Marielle Franco causou-nos comoção. Figura pública, lutadora contra a violência e pelos direitos LGBT, tinha muito a contribuir para o Brasil e para o Rio de Janeiro em especial. Foi assassinada covardemente por quem certamente não estava gostando de sua atuação à frente de comissão de monitoramento da intervenção militar no Rio. Denunciou com veemência a violência letal em Acari e por isso morreu a tiros. Os moradores do bairro de certo a pranteiam, mas encaram sua morte como apenas mais um triste sinistro da rotina de execuções que experimentam cotidianamente.
O que o povo do asfalto não consegue assimilar da sua redoma de bem-estar é que Acari constitui a maior parte do Brasil. É como vive a grande massa de nossas patrícias e nossos patrícios no entorno de Brasília, na Baixada Santista, nos Alagados de Salvador; é na Zona Sul de São Paulo, em Santa Rita ao lado de João Pessoa, no Complexo do Curado em Recife… e por aí vai.
Brasileiras e brasileiros, em sua maioria, vivem com o reto na mão, não sabendo se hoje será, ele ou ela, escolhida para morrer a bala. E entre um tiroteio e outro têm que trabalhar, cuidar da família, pagar impostos e cumprir com suas obrigações cívicas. Tempo para fazer política, se instruir, para participar de debates não têm. Acordam cedo, se espremem suados em péssimas conduções públicas, se alimentam mal e chegam a altas horas da noite da labuta diária, para, depois, serem chamados de vagabundos por escravocratas endinheirados, meganhas, bandidos ou governantes que não lhes permitem aposentar. Alguns preferem, até, dormir na sarjeta, perto do local de seu trabalho, não porque não tenham teto ou sejam moradores de rua, mas porque o transporte para casa é tão caro, que subtrairia parte significativa do sustento familiar. Em São Paulo, são acordados com jatos de água gelada a mando do prefeito milionário que acha que pobreza ofende a estética urbana.
A violência urbana, entre nós, é fruto e instrumento do apartheid social a que nossa paleo-escravocracia cultiva. No asfalto, acostumamo-nos à indiferença pela pobreza, dividimos a sociedade entre ganhadores e perdedores sem qualquer remorso. Os mais aquinhoados se cercam de muros e arame eletrificado, andam em carros blindados, para que os que supõem perdedores não os vejam e neles não se encostem.
A justiça de classe enche as cadeias de miseráveis, vistos como perigo em potencial para a manutenção do status quo. As penitenciárias e os presídios são verdadeiros aterros sanitários de gente, lixeiras da sociedade. Pouco interessa se onde cabem dez venham a se espremer sessenta ou setenta baratas humanas. Os juízes e promotores que os pilam ali estão mais preocupados com seus auxílios-moradia, seus carrões e as viagens duas ou três vezes ao ano para o exterior.
É, o povo do asfalto, um amontoado de limpinhos e cheirosos cercados de lixo e excremento. E vivem felizes com esse descaso, de dedo em riste contra qualquer político de esquerda que coloque essa realidade em cheque. Presidentes da República, então, que fazem um mínimo de esforço para diminuir o peso nos lombos da massa, são destituídos e perseguidos, acusados de corruptos pelos operadores do direito mais decaídos da história do Brasil.
E così la nave va.
Por que tem-se a certeza de que isso não mudará nunca? Será que os de cima da carne seca estão tão certos de sua impunidade, como poderosos que são? Afinal, quando a plebe for muito atrevida e se mexer mais do que seria “razoável” tolerar, decreta-se intervenção com uso das forças armadas, outra instituição que aceita bem seu papel da ditadura de classe. O pobre então recebe o tratamento de inimigo e seu bairro é chamado de terreno hostil. O resto é só mandar bala para acabar com os topetudos. Para isso, o comandante exige regras de engajamento robustas que nem em operação de uso de força imposta pelo Conselho de Segurança da ONU – triscou na repressão, morre!
É da natureza de forças armadas se apegarem ao direito de matar. Assim, além da polícia bandida e do tráfico opressor, a população marginalizada tem que aturar a tropa do exército apoiada por ar, a transformar sua vida num campo de batalha sem lei.
O que não pode deixar de estranhar é o fato de haver atores sedizentes de esquerda que, talvez por medo de perderem votos ao irem contra a maré midiática, apoiam a intervenção militar como uma “necessidade” para acalmar o Rio de Janeiro. Isso é conversa tão velha quanto a repressão dos desvalidos no Brasil. E nunca funcionou para controlar a violência urbana.
Vale a frase atribuída a Lafayette, “com baionetas pode-se fazer quase tudo, menos sentar-se em cima delas”. O que é preciso para “acalmar” não é mais tiro, não é mais bala. É política social urgente para devolver a humanidade às comunidades escolhidas para serem o lixo de nossa escravocracia. É preciso médico, professor, lazer, saneamento e urbanização que recupere a autoestima dos marginalizados. É imperioso abolir a escravidão na prática e em definitivo.
Pois, se assim não for, bala chama bala, violência chama violência. Os oprimidos são a maioria e se não quiserem mais continuar nessa condição, vão ter que se aprumar e reagir. O ódio que neles foi cultivado por séculos a fio sairá, então, de uma vez só, como um grito de “basta!”, com um vulcão em erupção a tragar com sua lava tudo que encontra pela frente. Que se cuidem nossos garbosos cheirosos, as instituições da ditadura de classe que os apoiam, pois Ruanda será fichinha diante do que nos espera. E não haverá Conselho de Segurança capaz de editar regras de engajamento para garantir o poder dos ricos.

domingo, 11 de março de 2018

Entenda porque o governo faz propaganda enganosa sobre recuperação da economia Com desemprego superando a marca de 12 milhões, especialistas explicam que o baixo crescimento do PIB é uma ilusão Pedro Rafael Vilela Brasil de Fato | Brasília (DF), 9 de Março de 2018 às 09:52

Temer é rejeitado por 70% da população / Lula Marques/Agência PT
Após dois anos de queda, com o país acumulando perdas de mais de 7% de sua economia, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou, na semana passada, que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, índice que mede o desempenho econômico nacional, avançou apenas 1% em 2017.
Rejeitado por mais de 70% da população e praticamente sem nenhuma notícia positiva para comemorar, o governo de Michel Temer, e grande parte da mídia comercial, se apressaram para celebrar o que seria um resultado “extraordinário” e o fim da recessão. Para economistas ouvidos pelo Brasil de Fato, no entanto, por trás da propaganda, o país segue sem oferecer saídas consistentes para enfrentar o desemprego e o crescimento da miséria.
A própria elevação do PIB não foi obra da atual política econômica, explica Márcio Pochmann, professor do Instituto de Economia da Universidade de Campinas (Unicamp).  “O resultado do PIB se deve ao desempenho do setor agropecuário, que cresceu 13% no ano passado, em decorrência de uma safra recorde de grãos. O setor industrial apresentou crescimento zero e o setor de serviços só cresceu 0,3%, uma estagnação. Ou seja, esse dado não está associado à política econômica do governo. Pelo contrário, a atual política econômica agravou o quadro do país nos últimos anos”, argumenta.
A recessão do país, que começou em 2015, poderia ter terminado no final de 2016, não fosse a mudança de governo provocada pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff. “A política do 'austericídio' começou ainda no governo Dilma, mas foi aprofundada com Temer, o que prolongou a recessão e contribuiu para uma falência generalizada das empresas. O único setor que obteve lucros foi o financeiro, ou seja, os bancos, que mantiveram seus ganhos. Em algum momento a gente ia bater no fundo do poço e uma recessão tão demorada ia dar um sinal de recuperação, mas trata-se de um crescimento marginal [esse do PIB]”, aponta o economista Paulo Kliass, doutor pela Universidade Paris 10 e especialista em políticas públicas e gestão governamental.
Desemprego
Na última atualização do IBGE, também da semana passada, o desemprego no país manteve patamares elevadíssimos. Um total de 12,7 milhões de pessoas estão sem trabalho no país, índice que representa 12,2% da chamada população economicamente ativa (PEA), aquela que busca trabalho e não encontra. O número é menor do que no ano passado, que chegou a registrar 14,1 milhões de desempregados, mas o que impulsionou a queda foram os empregos sem carteira assinada ou o chamado trabalho por conta própria. Pela primeira vez ao longo dos últimos anos, o Brasil voltou a ter mais empregos informais, de baixa qualidade e menores salários.
“O pouco crescimento do emprego vem se dando precariamente, na informalidade. É uma combinação da capacidade ociosa da indústria com a flexibilização da legislação trabalhista. É importante salientar que a média do salário informal é muito mais baixa do que de quem tem carteira assinada,  além de serem trabalhos muito mais precários do ponto de vista da segurança e da assistência previdenciária, o que acaba prejudicando o próprio sistema previdenciário, já que nem empresas e trabalhador passam a contribuir com o INSS. Não é um processo sustentável para o país”, analisa Paulo Kliass.
Além dos mais de 12 milhões de desempregados, Márcio Pochmann lembra que um outro contingente muito expressivo, que engloba cerca de 4 milhões de trabalhadores, desaparece da estatística porque deixa de procurar emprego. “São pessoas que estão desempregadas há muito tempo e não conseguem arrumar uma ocupação, por isso deixam de procurar. O IBGE identifica como população economicamente inativa e, por isso, essas pessoas nem entram nas estatísticas”, explica
Problema estrutural
Os economistas ouvidos pela reportagem lembram que não houve ampliação da capacidade instalada do setor produtivo nos segmentos da indústria e dos serviços, ao longo dos últimos anos, o que revela o caráter ilusório de uma recuperação econômica mais consistente.  “O Brasil tem uma economia com baixíssima capacidade de expansão, do ponto de vista da produção. Esse cenário que vem acompanhado do aumento dos importados, justamente porque qualquer ganho extra de renda não encontra capacidade produtiva para responder a demanda internamente”, avalia Márcio Pochmann.
Segundo Paulo Kliass, esse é um problema estrutural da economia brasileira. “Foi adotada uma opção de estimular a exportação de commodities agrícolas, petróleo e minérios, que são produtos de baixo valor agregado, ou seja, o país exporta basicamente a sua natureza. Por outro lado, foi feita uma política de valorização da importação de produtos industrializados, principalmente da China e de outros países asiáticos, o que provocou uma quebradeira da indústria brasileira de produtos manufaturados”, destaca.
Na origem do problema, a combinação de câmbio valorizado e altas taxas de juros, que desestimulam a capacidade produtiva da indústria nacional. “Esse movimento de desindustrialização foi ceifando a capacidade de produzir e fez com que os industriais preferissem ser meros montadores. Eles importam produtos manufaturados para montar aqui no país, sem transformação. O fato de nós vivermos com alta taxa de juros foi criando esse tipo de empresário que não tem retorno operacional e perde o estímulo da produção”, acrescenta Márcio Pochmann.
Para Kliass, o Brasil só poderá sair da crise “quando o Estado recuperar os investimentos na área social, de infraestrutura, mas o que o governo atual  tem sinalizado é exatamente o oposto”, lamenta. 

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Home Em Pauta Texto exemplar da Juíza Federal Raquel Domingues do Amaral

Texto exemplar da Juíza Federal Raquel Domingues do Amaral

“Sabem do que são feitos os direitos, meus jovens?

Sentem o seu cheiro?
Os direitos são feitos de suor, de sangue, de carne humana apodrecida nos campos de batalha, queimada em fogueiras!
Quando abro a Constituição no artigo quinto, além dos signos, dos enunciados vertidos em linguagem jurídica, sinto cheiro de sangue velho!
Vejo cabeças rolando de guilhotinas, jovens mutilados, mulheres ardendo nas chamas das fogueiras!
Ouço o grito enlouquecido dos empalados.
Deparo-me com crianças famintas, enrijecidas por invernos rigorosos, falecidas às portas das fábricas com os estômagos vazios!
Sufoco-me nas chaminés dos Campos de concentração, expelindo cinzas humanas!
Vejo africanos convulsionando nos porões dos navios negreiros.
Ouço o gemido das mulheres indígenas violentadas.
Os direitos são feitos de fluido vital!
Pra se fazer o direito mais elementar, a liberdade,
gastou-se séculos e milhares de vidas foram tragadas, foram moídas na máquina de se fazer direitos, a revolução!
Tu achavas que os direitos foram feitos pelos janotas que têm assento nos parlamentos e tribunais?
Engana-te! O direito é feito com a carne do povo!
Quando se revoga um direito, desperdiça-se milhares de vidas …
Os governantes que usurpam direitos, como abutres, alimentam-se dos restos mortais de todos aqueles que morreram para se converterem em direitos!
Quando se concretiza um direito, meus jovens, eterniza-se essas milhares vidas!
Quando concretizamos direitos, damos um sentido à tragédia humana e à nossa própria existência!
O direito e a arte são as únicas evidências de que a odisseia terrena teve algum significado!”

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

A verdadeira razão da queda da inflação no governo Temer / Pragmatismo Político/22/02

Você sabe o que derrubou a inflação no atual governo de Michel Temer? A razão, pouco alardeada, seria menos trágica se não fosse tão verdadeira

razão da queda da inflação no governo Temer
Juliane Furno*, Brasil de Fato

Recessão e desemprego derrubam inflação e devolvem o poder de compra aos brasileiros”. Essa frase, veiculada no jornal da Globo News, surtiu ironias e piadas na internet em abril de 2017. Seria menos trágica se não fosse tão verdadeira. O problema do enunciado é a ausência de problematização política.
Inflação é um fenômeno econômico que decorre da “Lei da Oferta e da Procura”. Por exemplo, se na feira tem poucas pessoas que oferecem tomate e muitas pessoas que querem comprar, o seu “preço” vai aumentar. Se, por outro lado, de uma hora para outra, a tarifa da energia elétrica subir, isso impactará na inflação pois quase todos os produtores vão repassar esse aumento da conta de luz no preço final das suas mercadorias.
Assim, o preço da cerveja sobe para o consumidor final porque o dono do boteco tem que repassar para alguém o aumento da conta de energia por ter deixado as cervejas gelando no freezer, que é ligado na tomada; logo, gasta luz.
A inflação cresceu bastante no Brasil em 2015. Os economistas liberais e de direita verbalizaram seu receituário para reequilíbrio dos preços: aumentar a taxa básica de juros, causar recessão econômica, aumentar o desemprego e reduzir os salários.
Para não dizer que estou exagerando, o economista liberal Samuel Pessoa escreveu a seguinte frase: “quanto mais rápida for a queda do salário real, mais rapidamente a inflação (…) convergirá para a meta”. Além dessa, outras frases comuns no mesmo período eram “controlar a inflação tende a envolver sacrifícios no curto prazo, como crescimento mais baixo e desemprego mais alto.” Ou então “o desemprego teria que subir até 8,5% em 2015 para trazer a inflação para a meta em 2016” dita por Alexandre Schwartsman, outro economista que está sempre na mídia hegemônica.
Soluções como essa vêm de um diagnóstico equivocado pois avaliam que o problema da inflação teria sido de “demanda”, ou seja, com o salário mínimo crescendo, o desemprego mais baixo, juros menores e crescimento econômico, os trabalhadores passaram a ter mais dinheiro e pressionaram os preços para cima, já que aumentou o poder de compra sem aumentar a produção de mercadorias ao mesmo tempo.
Ocorre que o problema da inflação brasileira em 2015 esteve ligado a “oferta”: liberação abrupta do preço da gasolina e da energia elétrica somada a uma forte desvalorização do real. Isso comprova a razão da inflação continuar subindo em 2015 mesmo com o aumento sistemático da taxa de juros. Ou seja, como justificar que mesmo “encarecendo” o crédito, a demanda por consumo seguiria aumentando?
Agora vamos tentar entender o momento atual. Em 2017 a inflação brasileira fechou em 2,95% (IPCA). O governo golpista de Michel Temer, a sua equipe econômica e, possivelmente, alguém no seu whatsapp devem ter comemorado!
Acontece que a inflação caiu e está abaixo do centro da meta de inflação exatamente por que a recessão e o desemprego a derrubaram! Isso quer dizer que a inflação está baixa a custo de um problema muito maior do que uma inflação de 10%, como foi em 2015. Naquela ocasião, a elite disse que o fantasma da inflação estava de volta e que a Dilma tinha quebrado o país!
A inflação está baixa porque o Brasil teve um recorde na safra agrícola e pode oferecer mais quantidades de alimentos no mercado – ou seja, a responsável foi a chuva e não o Temer.
Mas a inflação caiu, principalmente, porque os trabalhadores pararam de gastar! E eles pararam de gastar porque a renda média vem caindo sistematicamente, o salário mínimo foi reajustado abaixo da inflação e o desemprego está alto!
Se a pessoa recebe menos ou não recebe nada, ela gasta menos ou não gasta. Se ela não gasta, a indústria fica com seus produtos encalhados, demite trabalhadores, que deixam de gastar porque estão sem emprego. Essa é a lógica na qual a queda do crescimento econômico e o desemprego derrubaram a inflação.
De fato a inflação baixa aumenta o poder de compra porque a moeda não perde tanto valor, mas esse aumento no poder de compra não compensa os efeitos danosos das causa da queda da inflação.
O Brasil tem um “trauma” inflacionário. Mas isso não pode nos cegar para encarar que o remédio para controlar a inflação foi fazer o paciente contrair uma doença bem pior!

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Aluna bolsista comove redes sociais com discurso de formatura na PUC-SP Filha de empregada doméstica, ela criticou "insultos" e "falta de apoio" na Universidade/aluna-bolsista-comove-redes-sociais-com-discurso-de-formatura-na-puc-sp-

Leia abaixo o discurso na íntegra:
Caros colegas, pais, professores, convidados, boa noite. Depois desse discurso animado, eu vim com um discurso rápido para o mesmo e um discurso que fala um pouco da nossa realidade aqui na PUC. Nessa noite tão especial, na qual relembramos nossa trajetória na Pontifícia, gostaria de falar sobre resistência, palavra tão usada por nós ao longo desses cinco anos. Todavia, não quero aqui abranger toda e qualquer resistência. Quero falar de uma em específico, da resistência que uma parcela dos formandos — que, infelizmente, são minoria neste evento — enfrentaram durante sua trajetória acadêmica.
Me dedico à resistência daqueles que cresceram sem privilégios, sem conforto e sem garantia de um futuro promissor, daqueles que foram silenciados na universidade quando pediram voz e que carregaram, desde cedo, o fardo do não pertencimento às classes dominantes.
Me dedico à resistência das famílias que a muito custo mantiveram seus filhos na universidade, à resistência dos estudantes que perderam, no mínimo, três horas diárias em transportes públicos. Hoje, trago a história de jovens sonhadores que há cinco anos atrás iniciaram uma história de resistência nessa universidade. Trago a história de resistência da periferia, dos pretos, dos descendentes de nordestinos e dos estudantes de escola pública.
Nós, formandos bolsistas resistimos à PUC São Paulo, aos sonhos que nos foram roubados e à realidade cruel que nos foi apresentada no momento em que cruzamos os portões da Bartira e da Monte Alegre. Nós resistimos às piadas sobre pobres, às críticas sobre as esmolas que o governo nos dava, aos discursos reacionários da elite e a sua falaciosa meritocracia. Resistimos à falta de inglês fluente, de roupa social e linguajar rebuscado que o ambiente acadêmico nos exigia.
Resistimos também à falta de apoio financeiro e educacional da Fundação São Paulo, aos discursos da vitimização das minorias e à suposta autonomia do indivíduo na construção do seu próprio futuro. Resistimos também aos insultos feitos a nossa classe, aos desabafos dos colegas sobre suas empregadas domésticas e seus porteiros. Mal sabiam que esses profissionais eram na verdade nossos pais.
No mais, resistimos aos professores que não compreenderam nossa realidade e limitações e faziam comentários do tipo: por favor, não estudem Direito Civil por sinopse, porque até a filha da minha empregada que faz Direito na 'Uniesquina' estuda Direito por sinopse. Essa frase foi dita por uma professora de Direito Civil no meu terceiro dia de aula. Após escutá-la, meu coração ficou em pedaços, pois naquele dia soube que a faculdade de Direito da PUC São Paulo não era para mim.
Liguei para minha mãe, empregada doméstica, chorando, e disse que iria desistir. Entretanto, após alguns minutos de choro compartilhado, ela me fez enxergar o quanto eu precisava resistir àquela situação e mostrar à PUC e a mim mesma o quanto eu era capaz de obter este diploma.
Essa história não é apenas minha, mas de todos os bolsistas formandos da PUC São Paulo. Somos os filhos e filhas do gari, da faxineira, do pedreiro, do motorista e da mãe solteira. Por isso, a eles, nossos maiores inspiradores, dedicamos nossa história de resistência nessa universidade. Que nossa história inspire outros jovens pobres a resistirem.
Avante, companheiros. Avante, pois nossa luta está apenas começando. Por fim, como nunca é tarde para dizer, 'Fora Temer'. Muito obrigada.


Leia mais: https://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/aluna-bolsista-comove-redes-sociais-com-discurso-de-formatura-na-puc-sp-22411156#ixzz57llo4lqB 
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“Polícia cheira, madame cheira, empresário cheira, jogador cheira, político cheira”: o retrato da intervenção e da ‘guerra às drogas’ no Rio /Kiko Nogueira /DCM

Tropas do Exército fazem patrulha pelas ruas da Rocinha (FOTO José Lucena/Futura Press)
Luciana Mello, dona da empresa Dríade Ambiental, pintou no Facebook o retrato da “guerra às drogas” no Rio de Janeiro. Não é bonito, mas é verdadeiro.
Povo de fora q não sabe como é os esquema aqui no Hell de Janeiro, a parada aqui funciona assim: polícia cheira, madame cheira, puta de luxo cheira, empresário cheira, jogador cheira, atleta cheira, político cheira.
Nenhum deles sobe o morro pra comprar.
Na PUC, no Notre Dame, no Alto Leblon tem quem vende, tudo mocinho de boa família, tudo safado, q nem viciado esses porrinha são.
Os maconheiro do Rio fumam porq acham q tão no direito deles, mas compram de traficante do mesmo jeito, depois fecham o vidro do carro com medo “da violência” q é patrocinada pelo Coelhinho da Páscoa, porq os babaca não se ligam q quem patrocina a violência é o narizinho nervoso deles e dos amiguinhos.
Polícia, exército, marinha, todo mundo vende arma pra quem? Isso aí, pros traficantes. Pra q? Pra galerinha descoladex da zona sul e da Barra ficar na brisa, sentar as venta na branquinha.
Aí o q a galerinha descolada quer? Pô, quer poder andar na rua sem medo de perder o iPhone, quer #Paz. Na bundinha não querem nada, só paz mesm








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