sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Do Blog Conversa Afiada de PH Amorim


Publicado em 02/08/2013

CAFEZINHO VAZA MAIS
DOCUMENTOS DO GLOBOGATE

O que dirão os colonistas da plutocracia predadora ?
Conversa Afiada reproduz denúncia do Blog O Cafezinho, de Miguel do Rosário:

VAZAM MAIS PÁGINAS DO GLOBOGATE!



Mais algumas páginas do relatório da Receita Federal que trata da milionária sonegação da Rede Globo acabam de vazar. O Cafezinho mais uma vez divulga o fato em primeira mão.

As novas páginas disponibilizadas referem-se à decisão final da Receita de condenar a Globo ao pagamento de multa de 150%, mais juros de mora, sobre o valor sonegado. Importante anotar a data deste documento: 21 de dezembro de 2006. Alguns dias depois, estes documentos seriam roubados pela servidora Cristina Maris Meinick Ribeiro.

No documento, os auditores votam, por unanimidade, pela culpa do réu e dão 30 dias para a Globo pagar a dívida, a menos que recorresse ao Conselho de Contribuintes no mesmo prazo. O roubo do processo, alguns dias depois, permitiu à Globo adiar por um longo tempo a renegociação deste débito.

A informação joga mais pressão sobre o Ministério Público. Por que não se aprofundou nas investigações sobre o roubo do processo? Por que não ligou o roubo à sonegação em si? Ambos fazem parte do mesmo ilícito, do mesmo desejo de lesar o Tesouro Nacional. Tinha obrigação de investigar a suspeita, óbvia, de envolvimento do principal interessado: a Globo.

Em uma de suas respostas, a Globo mencionou dívidas sendo negociadas no Conselho de Contribuintes. Tudo leva a crer que a emissora apelou ao Conselho, que conta com a participação de entidades privadas. Mais uma vez, estamos diante de uma situação nebulosa.  A Globo disse que pagou o débito através da adesão ao Refis, em 2009. Como assim? No dia 21 de dezembro de 2006, a Receita deu apenas 30 dias, sob pena de cobrança executiva, para a empresa pagar ou apelar ao Conselho. Ela apelou ao Conselho? O roubo do processo lhe deu quantos meses de alívio? Qual foi a decisão do Conselho? Quem fazia parte do Conselho nesta época?

O mais importante: os novos documentos agora obrigam a mídia a não falar mais em “suposta” sonegação. Eles mostram que os auditores decidiram, com unanimidade, pela culpabilidade da empresa.






Abaixo a coleção completa dos documentos já vazados. O roteiro é o seguinte:

Capa
2 fls novas
5 fls em repetição
3 fls novas
17 fls que já estavam divulgadas.

CLIQUE AQUI PARA LER OS DOCUMENTOS

Corinthiano já nasce feito..............................

Um menino de 6 anos chegou em casa e perguntou:

- Pai, para que time eu torço?
O pai imediatamente detectou o problema. Não ligava muito para futebol, nunca tinha conversado com o filho sobre o assunto. Percebeu que o menino tinha chegado a uma idade em que é obrigatório ser torcedor. Decidiu que se esforçaria para reparar o erro.
Prometeu ao filho que o levaria a jogos de todos os clubes grandes de São Paulo, para que o garoto tivesse todas as oportunidades para escolher seu time do coração. Fez a devida lição de casa. Aprendeu os fatos, os nomes, os momentos e lugares importantes na História de cada clube.
A primeira visita foi ao Morumbi, numa tarde de jogo do São Paulo. Chegaram cedo, passaram no Memorial, viram os troféus da Copa Libertadores, da Copa Intercontinental.
- Filho, o São Paulo é o mais bem sucedido clube brasileiro no cenário internacional. Ganhou a Libertadores 3 vezes, foi a Tóquio duas vezes para conquistar a Copa Intercontinental, também tem um Mundial de Clubes da Fifa. Além disso, foi o primeiro clube da cidade a ter o seu Centro de Treinamento. E claro, é o dono desse estádio, o Morumbi, o maior de São Paulo.
O jogo foi ótimo, o São Paulo venceu, o menino ficou impressionado com o tamanho e conforto do Morumbi.
- E aí, quer comprar uma camisa? – perguntou o pai.
- Ainda faltam três times, né? Prefiro esperar.
A segunda visita foi ao Palestra Itália. Passearam pela sede do clube. Viram os bustos de Ademir da Guia, de Junqueira, de Waldemar Fiúme. Também conheceram a sala de troféus. Sentaram-se nas numeradas do estádio do Palmeiras.
- Filho, esse time é diferente dos outros, por causa da conexão com a origem dos torcedores. O Palmeiras tem uma ligação sanguínea com a Itália, se chamava Palestra Itália. Claro, ninguém precisa ser italiano para torcer pelo Palmeiras, mas é bonito ver essa relação familiar com o time. Os palmeirenses são apaixonados por essa camisa. Grandes craques passaram por aqui ao longo dos tempos. Tanto que o time tem o apelido de “Academia”. – contou o pai.
O Palmeiras ganhou, o menino vibrou. Gostou do ambiente no Palestra, da proximidade do gramado.
- Vamos comprar a camisa? – o pai perguntou.
- Mas ainda faltam dois times…
Próxima parada, Vila Belmiro. No carro, indo para Santos, o pai começou a falar sobre as glórias do time.
- Meu filho, esse time que você vai conhecer hoje é um patrimônio do futebol. É o time em que jogou o Pelé, o maior jogador da História. Teve o melhor time de todos os tempos, no começo da década de 60, quando não havia adversário neste planeta que pudesse vencê-lo. Você vai ver a quantidade de taças que eles têm.
Visitaram o Memorial das Conquistas e sua impressionante coleção de troféus. As fotos do timaço que conquistou o mundo duas vezes, do Rei Pelé e de tantos e tantos jogadores lendários.
O Santos ganhou o jogo, o menino ficou empolgado. Na Vila, dá para ficar ainda mais perto do campo.
Na saída, a mesma pergunta.
- Vamos comprar a camisa?
- Calma pai, ainda tem um jogo para a gente ir, não tem?
E foram ao Pacaembu, num domingo à tarde. Não conseguiram sair cedo de casa, estavam um pouco atrasados. O pai foi falando sobre o Corinthians no carro.
- Filho, estamos indo ao Pacaembu, mas o Pacaembu não é o estádio do Corinthians. É da prefeitura, porque o Corinthians não possui um estádio próprio. Mas a torcida se sente muito bem lá. Outra coisa: o Corinthians é o único time de São Paulo que ainda não ganhou a Copa Libertadores. Mas tem um detalhe interessante: é a maior torcida de São Paulo, e a segunda maior do Brasil. É uma torcida tão apaixonada que é chamada de “Fiel”. Esta torcida ficou por mais de vinte anos sem ganhar um título sequer, no entanto, incrivelmente, foi exatamente neste período que a torcida mais cresceu.
Dificuldades para estacionar o carro, confusão na descida da escadaria, empurra-empurra, correria, etc... enfim chegaram em frente ao Pacaembú. Chegando próximo à bilheteria, viram um homem pardo, de chinelos de dedo, comprando seu ingresso com os últimos trocados de sua surrada carteira.

Por causa do atraso, pai e filho entraram no Pacaembu pelo portão principal, quase na hora em que o Corinthians subiu ao gramado. Sentaram-se apertadamente na escadaria da arquibancada de cimento por falta de espaço, e logo tiveram de se levantar, porque o time foi para o campo. A emoção da torcida ao ver o time subir a escadaria do vestiário deixou o menino impressionado...
De repente, o pai percebeu algo assustador. Seu filho estava arrepiado, respiração alterada, chorando de euforia, irriquieto, e ao mesmo tempo rindo sozinho, feliz como se tivesse ganho o maior dos presentes.
- O que aconteceu, meu filho?
- Não sei, pai.
- Por que você está chorando?
- Não sei…
- Quer ir embora?
- Não, quero ficar.
O jogo estava para começar quando o menino pegou o braço do pai.
- Pai, quero uma camisa.
- Como assim?
- Escolhi, pai.
- Mas o jogo ainda nem começou…
- Não importa! Eu sou corinthiano!

ENTENDEU? SENTIU? NÃO?
ENTÃO NÃO É..

SÓ QUEM É, PRA ENTENDER!

EU SOU!

Só pra refrescar a memória.....................

14 é o número que incomoda

Central de Boatos e Patifarias-- Blog do Ricardo Kotscho

O caro leitor já deve ter recebido na caixa de mensagens do seu computador, assim como eu, centenas de mensagens, a grande maioria apócrifas, com denúncias absolutamente absurdas e criminosas contra o ex-presidente Lula e sua família.
Alguns simplesmente deletam estas patifarias. Outros passam para a frente, multiplicando as calúnias como se fossem verdade. De tempos em tempos, elas reaparecem em grande escala num movimento chamado de "troll", certamente montado por alguma Central de Boatos e Patifarias (CBP). Isso acontece geralmente quando sites independentes publicam denúncias contra veículos da grande mídia, governos e políticos dos governos de oposição, como acontece agora .
O pior é que tem gente séria que eu conheço começando a acreditar nestas infâmias, de tanto que são repetidas, como se fossem a mais absoluta verdade. E ainda tem quem me pergunte: por que o Lula e o filho dele não desmentem estes boatos, como se coubesse às vítimas se defender diante dos criminosos da difamação que invadiram a blogosfera. Além do mais, querer desmentir o que circula na internet é mais ou menos como jogar toneladas de papel picado pela janela e correr atrás para juntar tudo de novo.
"Isso é o que chamam `democracia das redes sociais´, onde cada um diz o que bem entende, oculto atrás de perfis falsos", constata meu velho amigo e grande criminalista Arnaldo Malheiros Filho. Não é a democracia brasileira, pois nossa Constituição (art. 5º, IV) diz que` é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato´"`, lembra ele.
A cada dia se avoluma o material distribuído por este esgoto. Só para se ter uma ideia do que circula por aí _ e naturalmente não vou reproduzir aqui _ basta clicar algumas palavras no Google: "fazendas lula gado lulinha propriedades fortuna biolionária".
Na rápida pesquisa que fiz na manhã desta quinta-feira, apareceram 15.600 resultados, em que o "império" de Lula já está "avaliado em US$ 2 bilhões". Um dos títulos é assustador: "Professor do Colégio Pedro II pede a morte de Lula, Dilma e outros..."
Espero não estar incluído entre estes "outros".  A maior parte do material tóxico produzido pela CBP dá conta de que Lula e seu filho Fábio Luiz da Silva são proprietários de centenas de propriedades rurais em diferentes pontos do país e de milhões de cabeças de gado de raça.
Além de "documentos que provam", surgem "escrituras" e "contratos de sociedade", alguns com ilustrações. Numa destas porcarias, aparece a "sede da fazenda do Lulinha", que na verdade é o edifício sede da ESALQ (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiróz), centenária instituição da Universidade de São Paulo.
Além da obsessão de atribuir à família Silva a posse um "império agropecuário", vira e mexe aparecem mensagens informando que o câncer de Lula voltou, que ele está fazendo tratamento no Hospital Sírio-Libanês de madrugada e a vida dele está por um fio.
Outro dia, em conversa com jornalistas, o próprio Lula deu risada quando lhe perguntaram sobre estas "notícias" e garantiu que estava muito bem de saúde, mas os desmentidos costumam repercutir muito menos do que os mentidos _ e as mentiras continuam circulando.
Já que cada um pode escrever o que quer e ninguém é responsabilizado pelo que escreve, sugiro aos caluniadores profissionais, para animar as conversas de fim de expediente, que ampliem um pouco o leque de "investimentos" de Lula. "Dizem", por exemplo, que ele agora está comprando apartamentos de cinco quartos e dez vagas na garagem na área mais nobre de Paris, uma frota de transatlânticos gregos, o Museu do Louvre e a Disneyworld.
Aos valentes vândalos da internet vale lembrar que o que antes era papo de motorista de táxi vagabundo agora virou assunto nas altas rodas. Tem gente que até cita testemunhas que viram Lula vagando pelos corredores do Sírio-Libanês. Quando pergunto quem viu, ouço como resposta algo como "o irmão do avô do vizinho de um cunhado meu" _ e fica tudo por isso mesmo. Os caluniadores não gostam de ser desmentidos, andam cheios de razão.
"E tem gente que acha lindo. Tão lindo quanto `manifestações pacíficas´, que impedem pacientes de ir ao hospital e fazem com que quem trabalhou o dia inteiro não consiga chegar em casa para o merecido descanso. É a democracia! Então tá. Se não curarmos essas distorções, elas acabam matando a democracia verdadeira", adverte Arnaldo Malheiros Filho.

Mau Deus....a que ponto chegaremos???????

Você confiaria em um médico que 'erra' o próprio CRM?

por Helena Sthephanowitz publicado 01/08/2013 17:17, última modificação 01/08/2013 17:20
Valter Campanato/ABr
medicos_protesto.jpg
Médicos brasileiros, em um dos protestos da classe contra programas de saúde pública do governo federal
Se os médicos e os planos privados de saúde que querem boicotar o programa "Mais Médicos" quiseram dar um tiro no pé, não poderiam ter feito melhor.
Do total de 18.450 médicos inscritos no programa federal de saúde pública, 7.278 tiveram CRMs considerados inválidos (CRM é o registro profissional do profissional de saúde junto ao Conselho Regional de Medicina), depois de finalizado o prazo para a confirmação de inscrições e das intenções reais de participar do programa que pretende ampliar o atendimento de saúde pública no interior do país.
Errar o número do CRM para um médico é algo tão primário como errar o CPF ao abrir uma conta em banco. Quase ninguém em sã consciência e de boa fé, erra. Os poucos casos que erram, corrigem. O número elevadíssimo de CRM's incorretos declarados depõe contra a imagem destes médicos (claro que não podemos generalizar, pois existem muitos profissionais decentes que reprovam essas más condutas).
As conclusões e indagações a que se pode chegar são:
Esses médicos se inscreveram "de molecagem", para tumultuar. Obviamente isso é uma tremenda falta de caráter, além de crime de falsidade ideológica. Os Conselhos de Medicina deveriam punir com rigor esse tipo de médico, em vez de defendê-los.
Será que quase metade dos médicos brasileiros seriam "analfabetos funcionais", a ponto de não saberem preencher um formulário de inscrição corretamente? Ou seriam muito "distraídos", a ponto de se "enganar" com o número de seu próprio CRM?
Será que outros seriam "analfabetos" ou "descuidados" para não saberem ler os termos do programa, antes de se inscreverem, escolherem seis opções de cidade, para depois dizer que desistiram por causa dos termos do programa?
Em qualquer dos casos, não daria para confiar num diagnóstico ou numa receita de um médico destes? Afinal quem "erra" até CRM por que não erraria um diagnóstico ou uma prescrição?
Ainda bem que não apresentaram a documentação e não serão contratados, para o bem da saúde dos pacientes do SUS. As pessoas que buscam atendimento na rede privada que se cuidem e procurem se informar para que tipo de pessoa estão delegando os cuidados com sua saúde.
De resto, parabéns aos 3.891 médicos brasileiros que entregaram com seriedade a documentação exigida, e bem vindos os futuros médicos estrangeiros, que querem trabalhar no SUS e atender a população que não pode pagar os planos de saúde privados, que além de tudo querem impedir oss que não podem pagar de terem acesso ao atendimento médico pelo SUS.
Essa conduta acende o alerta de que há algo muito errado com certa medicina privada no Brasil (de novo, sem generalizar). Se há tanta gente que faz isso com um mero cadastro de inscrição, o que não poderia fazer nas infames fraudes em convênios com o SUS que sangram os cofres públicos?
Em tempo: 766 médicos estrangeiros (mais correto é dizer com diploma conquistado em cursos no exterior), também completaram a inscrição. A próxima seleção do programa será aberta no dia 15, para preencher as vagas que ainda remanescentes, não ocupadas pelos profissionais nacionais, caso nossa classe médica confirme o desinteresse pelo programa do governo federal.

Respeito ao grande Jornalista; Paulo Moreira Leite

Paulo Moreira Leite
Diretor da Sucursal da ISTOÉ em Brasília, é autor de "A Outra História do Mensalão". Foi correspondente em Paris e Washington e ocupou postos de direção na VEJA e na Época. Também escreveu "A Mulher que Era o Outro General da Casa".

Feitiço contra feiticeiros no STF

Após quatro meses de espetáculo pela TV, a notícia é que alguns ministros do STF estão com medo de rever seus votos no julgamento do mensalão

Às vésperas da retomada do julgamento da Ação Penal 470, quando o STF irá examinar os recursos dos 25 condenados, o ambiente no tribunal é descrito da seguinte forma por Felipe Recondo e Debora Bergamasco, repórteres do Estado de S. Paulo, com transito entre os ministros: 
“(...) há ministros que se mostram ‘arrependidos de seus votos’ por admitirem que algumas falhas apontadas pelos advogados de defesa fazem sentido. O problema (...) é que esses mesmos ministros não veem nenhuma brecha para um recuo neste momento. O dilema entre os que acham que foram duros demais nas sentenças é encontrar um meio termo entre rever parte do voto sem correr o risco de sofrer desgaste com a opinião pública.”
 
Pois é, meus amigos. 
 
Após quatro meses de espetáculo pela TV, a notícia é que alguns ministros do STF estão com medo. Não sabem como “encontrar um meio termo entre rever parte de seu voto sem correr o risco de sofrer desgaste com a opinião pública.”
 
É preocupante e escandaloso. 
 
Não faltam motivos muito razoáveis para um exame atento de recursos. Sabe-se hoje que provas que poderiam ajudar os réus não foram exibidas ao plenário em tempo certo. Alguns acusados foram condenados pela nova lei de combate à corrupção, que sequer estava em vigor quando os fatos ocorreram – o que é um despropósito jurídico. Em nome de uma jurisprudência lançada à última hora num tribunal brasileiro, considerou-se que era razoável “flexibilizar as provas” para confirmar condenações, atropelando o direito à ampla defesa, indispensável em Direito. Centenas de supressões realizadas pelos ministros no momento em que colocavam seus votos no papel, longe das câmaras de TV, mostram que há diferença entre o que se disse e o que se escreveu. 
 
O próprio Joaquim Barbosa suprimiu silenciosamente uma denúncia de propina que formulou de viva voz, informação errada que ajudou a reforçar a condenação de um dos réus, sendo acolhida e reapresentada por outros ministros. 
 
Eu pergunto se é justo, razoável – e mesmo decente – sufocar esse debate. Claro que não é. 
É perigoso e antidemocrático, embora seja possível encher a boca e dizer que tudo o que os réus pretendem é ganhar tempo, fazer chicana. Numa palavra, garantir a própria impunidade. 
 
Na verdade estamos assistindo ao processo em que o feitiço se volta contra o feiticeiro. E aí é preciso perguntar pelo papel daquelas instituições responsáveis pela comunicação entre os poderes públicos e a sociedade – os jornais, revistas, a TV. 
 
O tratamento parcial dos meios de comunicação, que jamais se deram ao trabalho de fazer um exame isento de provas e argumentos da acusação e da defesa, ajudou a criar um clima de agressividade e intolerância contra toda dissidência e toda pergunta inconveniente.
 
Os réus foram criminalizados previamente, como parte de uma campanha geral para criminalizar o regime democrático depois que nos últimos anos ele passou a ser utilizado pelos mais pobres, pelos eternamente excluídos, pelos que pareciam danados pela Terra, para conseguir alguns benefícios – modestos, mas reais -- que sempre foram negados e eram vistos como utopia e sonho infantil. 
 
(A prova de que se queria criminalizar o sistema, e não corrigir seus defeitos, foi confirmada pelo esforço recente para sufocar toda iniciativa de reforma política, vamos combinar.)
 
No mundo inteiro, os tribunais de exceção consistem, justamente, num espetáculo onde a mobilização é usada para condicionar a decisão dos ministros. 
 
“Morte aos cães!”, berravam os promotores dos processos de Moscou, empregados por Stalin para eliminar adversários e dissidentes. 
 
Em 1792, no Terror da Revolução Francesa, os acusados eram condenados sumariamente e guilhotinados em seguida, abrindo uma etapa histórica conhecida como Termidor, que levou à redução de direitos democráticos e restauração da monarquia. 
 
No Brasil de 2013, a pergunta é se os ministros vão se render ao medo.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

CARTA MAIOR

Política| 31/07/2013 | Copyleft 

“Pobre estudar medicina é afronta para a elite”, diz médico formado em Cuba

Estudo do Ministério da Educação (MEC) aponta que 88% dos matriculados em universidades públicas de medicina estudaram em escolas particulares no ensino fundamental e médio. Para Andréia Campigotto, médica brasileira formada em Cuba, as universidades brasileiras precisam formar médicos com "um novo perfil, realmente voltados para atender o povo, para se fixar nos locais de difícil acesso, não só nos grandes centros como hoje."


A elitização do ensino de medicina no Brasil é um obstáculo para jovens de baixa renda entrarem nas universidade e se formarem. Já os problemas nas provas de revalidação do diploma dificultam o exercício da profissão em território nacional pelos brasileiros que conseguiram se formar no exterior.

“Quem estuda medicina no nosso país são os filhos das elites, em sua maioria. É uma afronta para a elite um negro, um pobre, um trabalhador rural, filho de Sem Terra estudar medicina na faculdade, principalmente pelo status conferido por essa profissão”, afirma Augusto César, médico brasileiro formado em Cuba e militante do MST.

Estudo do Ministério da Educação (MEC) aponta que 88% dos matriculados em universidades públicas de medicina estudaram em escolas particulares no ensino fundamental e médio. Os programas do governo de acesso à universidade, como o Programa Universidade para Todos (ProUni), ampliaram o acesso, mas ainda não conseguiram universalizar e democratizar a educação.

“A maioria das pessoas que entram na universidade pública para cursar medicina tem dinheiro para fazer um bom cursinho ou estudou o tempo todo numa escola particular. Claro que há exceções, mas o ensino de medicina do nosso país é altamente elitizado”, acredita Augusto.

“A maior parte das pessoas que tem acesso às escolas de medicina são de classe média e classe média alta. Um pobre numa universidade particular não consegue se sustentar pelo alto preço das mensalidades. Sem contar que hoje temos mais universidades privadas do que públicas na área da saúde, dificultando ainda mais o acesso”, diz a médica formada em Cuba Andréia Campigotto, que também é militante do MST.

Revalidação

A necessidade dos médicos brasileiros formados no exterior e estrangeiros passarem por uma prova para verificar se estão capacitados a exercer a profissão é um tema frequentemente pautado pela comunidade médica brasileira.

Independentemente do curso, todos os estudantes brasileiros que realizam um curso fora do país precisam passar por uma revalidação do diploma. No entanto, há falhas nesse processo no caso da medicina.

Um dos principais problemas é que não existe um padrão para o conteúdo dessas provas. Cada universidade federal pode abrir sua prova de reconhecimento de títulos no exterior. Com isso, o conteúdo não é uniforme. 

Além disso, o custo dessas avaliações é alto. A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) cobra uma taxa de inscrição de R$1.172,20. Outras universidades pelo país têm preços similares.

Preconceito

“As provas são injustas, porque têm um nível de médicos especialistas, e não de 'generalistas', que é o que somos após nos graduar. Isso causa uma desaprovação considerável dos estudantes que vem de fora”, acredita Andréia.

“O que a categoria médica não divulga é que 50% dos estudantes da USP reprovaram na prova feita pelo Conselho de Medicina de São Paulo. Foi uma prova para médico generalista, muito mais fácil que a de revalidação”, revela.

Para Andréia, há um “grande preconceito” por parte dos profissionais brasileiros em relação aos médicos formados em outros países, o que cria um entrave para a revalidação dos diplomas.

“Seria justo se os profissionais que se formam no Brasil fizessem as mesmas provas que nós, para ver se realmente se comprova uma suposta má formação de nossa parte, bem como discursa a categoria médica brasileira”, observa.

Os dois médicos defendem a realização de uma avaliação dos conhecimentos dos profissionais graduados no exterior, mas destacam que as provas atuais não cumprem esse papel, porque não são aplicados testes adequados para auferir o conhecimento.

“As provas teóricas e práticas atuais não levam em conta as complexidades. Seria muito melhor colocar esse médico para trabalhar sob um tutor e, a partir daí, se instaurar uma avaliação rigorosa e permanente. Mas isso não tem sido pensado”, pontua Augusto.

Formação

A concepção de medicina ensinada nas universidades impede também que os estudantes vejam a luta pela saúde além do tratamento de doenças.

“Nas universidades de medicina, só se vê doença. Não se fala em saúde. Como você pode lutar pela saúde se só vê doenças? Também é saúde lutar pelo direito à cidade e por um sistema público de saúde de qualidade”, destaca Augusto.

De acordo com o militante, a concepção de saúde deve ultrapassar uma formação técnica. “O médico deve exercer a medicina a favor da construção de um país mais saudável, sem esperar que as pessoas ou uma comunidade adoeça para depois intervir sobre ela, pois é o modo de vida que vivemos que gera as doenças do país”, defende.

Andréia quer se tornar professora de medicina para colaborar para a mudança da forma de ensinar das universidades. Ela se classificou na primeira fase do concurso para lecionar na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

Segundo ela, o campo da educação deve ser ocupado por aqueles que querem democratizar a educação. “Precisamos formar profissionais com um novo perfil, realmente voltados para atender o povo, para se fixar nos locais de difícil acesso, não só nos grandes centros como hoje. É um campo interessante de atuação”.