segunda-feira, 24 de março de 2014

A ELEIÇÃO É A PETROBRAS. A GLOBO ERRA MAIS A defesa da Petrobras tem que ser Política. Não é coisa pra Gerente


A obra mais duradoura dos governos trabalhistas terá sido a reapropriação da Petrobras pelo povo brasileiro.

Como se sabe, o Príncipe da Privataria fez um rombo no casco do monopólio e tratou de desidratar a Petrobras para fatiá-la e vender aos pedaços.

O auge do processo entreguista seria rebatizar a empresa de “Petrobrax” – quanto custou o “estudo” para bolar o nome e que jenio ganhou com ele ?

A eleição de um presidente trabalhista roda, roda, e gira em torno da Petrobras, porque a Petrobras está no meio da Avenida Chile – e no meio do Brasil.

Não por acaso a Globo Overseas praticou outra fraude eleitoral, ao “editar” a entrevista do Gabrielli.

A Big House não admite que o Lula (com a ajuda do Gabrielli, do Haroldo Lima e da Dilma) tenha construído o “modelo de partilha”.

Não admite que eles tenham feito o maior lançamento de ações da História do Capitalismo e entregue ao Governo Dilma a responsabilidade – cumprida com êxito – de realizar o primeiro leilão do pré-sal.

Na partilha.

O regime de partilha equivale a botar fogo na dispensa da Big House.

A Big House não perdoa o Lula de ter reconstruído a indústria naval –  com a Petrobras – e dar 75 mil empregos a brasileiros – e, não, a cidadãos de Cingapura, como pretendiam o Principe Privateiro e o então presidente da Petrobrax, o delfim neolibelês (*), Francisco Gros.

Os trombones da Big House não aceitam que o Brasil venha a ser o maior produtor de plataformas do mundo, porque aqui se instalou, com os trabalhistas herdeiros de Vargas, um “capitalismo de características brasileiras”.

É por isso que Pasadena – leia aqui “os pingos nos ï” ”- se tornou, com a falência do “apagão” e a fracassada elevação do pepino, o ponto de referencia da oposição que se materializa no PiG (**).

É a tentativa de atingir a Dilma, a gerente, o Lula – e, acima de tudo, a Petrobras.

A Big House quer o poder e a Petrobras – não necessariamente nessa ordem !

Porque governar o Brasil significa governar a Petrobras.

E quem governa a Petrobras determina o perfil do futuro do Brasil.

Se será um Brasil para os brasileiros ou um Brasil para os amigos da Big House.

Aqueles a quem o Fernando Henrique oferece os ombros.

É por isso que a defesa da Petrobras – também responsabilidade da Dilma – não pode ser técnica.

Coisa para gerente – clique aqui para ver “não há eleição para Gerente da República”.

A defesa da Petrobras tem que ser travada no ringue da politica, no campo enlameado da eleição.

Tem que sujar as mãos.

De óleo.

E de furia.

(Vargas percebeu isso e se matou antes que o Cerra entregasse a  Petrobras à Chevron)

Vamos supor que a compra de Pasadena tenha sido um erro de gestão.

O que está longe de ser provado – clique aqui para ler a explicação de Gabrielli .

Os ilustres empresários privados do Conselho de Administração  concordaram com a compra de Pasadena e disseram isso, desde que “estourou  a crise.

Seria impensável imaginar que Gerdau, Fabio Barbosa e Claudio Haddad – campeões da livre iniciativa – referendassem um um erro tão grosseiro.

Ou se deixassem tapear por burocratas de segundo escalão de empresa pública.

Os acionistas da Gerdau, da Abril e do Insper ficariam decepcionados !

Mas, para efeito de raciocínio, vamos supor que Pasadena tenha sido um erro.

Vamos admitir – o que está longe de ser verdade – que o “prejuízo” com Pasadena, mesmo nas contas exorbitantes da Urubóloga, tenha provocado um rombo na plataforma P-36 …

O que é, digamos, uma proposição hilariante…

(Por falar em hilariante, clique aqui para ver como a Urubóloga noticia o Globope)

Mas, que empresa não comete erros, amigo navegante ?

A Globo, por exemplo …

A Globo foi à concordata.

E, porque não conseguiu levantar dinheiro no BNDES – nos termos aviltantes propostos ao presidente Carlos Lessa – foi obrigada a ajoelhar-se à banca internacional – como diria aquele dos múltiplos chapéus - teve que ajoelhar-se “à banca”.

A Globo torrou o que se calcula em US$ 100 milhões de dólares na Tele Monte Carlo, porque achou que ia dar uma rasteira no Berlusconi …

A Globo cometeu um erro elementar de gestão, porque, ao contrário de milhares de empresas brasileiras, acreditou no Real do Fernando Henrique e se endividou em dólares.

Aquela lorota de o Real valer o que valia o dólar.

(Como demonstrou o Luiz Nassif , no livro “Cabeças de Planilha”– clique aqui para ler entrevista devastadora – o único que tinha motivos nobres para acreditar na lorota – do R$ 1 = US$ 1 – foi o André Lara Resende, que, há pouco tempo, reapareceu numa suspeita de chantagem de Daniel Dantas contra Fernando Henrique , no livro“sem Gilmar não haveria Dantas”, de Rubens Valente.)

Como diz o Mino Carta, os filhos do Roberto Marinho – eles não têm nome próprio – acreditaram na Miriam Leitão e quase quebram.

Para salvar-se, a Globo contratou o mesmo executivo que Fernando Henrique levou para criar a  Petrobrax.

E o jenio saiu a vender ativos da Globo.

O J. Hawilla e o Boni o receberiam para jantar com champagne Cristal, sempre que quisesse.

Mas, os filhos do Roberto Marinho, se pudessem … 

Não fossem o Globope e o BV – e o BV é a maior fatia do faturamento de 190 agencias de publicidade do Brasil -, a Globo não teria como pagar o salário dos atores que não estão ar.

Entre outras coisas.

E olha que o BV da Globo é de solar ilegalidade, segundo a decisão do julgamento do mensalão – Fase I, aquela que o Ataulfo Merval de Paiva (***) recebeu como os Dez Mandamentos. 

Agora, aqui entre nós, amigo navegante, tivesse você uns trocados … compraria ações da Globo Overseas ou da Petrobras?

Paulo Henrique Amorim

Luiz Antonio Dias: O papel da Folha e do Estadão no golpe de 64 publicado em 21 de março de 2014 às 21:47 / Viomundo

por Luiz Carlos Azenha
O professor Luiz Antonio Dias foi aos arquivos do Ibope doados à Unicamp. Descobriu pesquisas inéditas, demonstrando que: a) a reforma agrária tinha grande apoio às vésperas do golpe de 64; b) João Goulart era um político popular quando foi derrubado; c) a política econômica de Goulart tinha apoio da maioria; d) Goulart era forte candidato nas eleições presidenciais de 1965, se saisse candidato (o favorito era o ex-presidente Juscelino Kubistchek).
O professor também escreveu “Informação e formação: apontamentos sobre a atuação da grande imprensa paulistana no golpe de 1964 — O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo”, publicado no livroHistória do Estado de São Paulo/A Formação da Unidade Paulista, volume 2, República, publicado pela Imprensa Oficial paulista.
Anteriormente, Luiz Antonio havia feito seu mestrado estudando a atuação da Folha antes e durante o golpe de 64.
No artigo acima citado, ele reproduz trechos dos editoriais dos jornalões paulistanos, por exemplo, sobre a Marcha da família, com Deus, pela liberdade, em 19 de março de 1964.
Poucas vezes ter-se-á visto no Brasil tão grande multidão na rua, para exprimir em ordem um ponto de vista comum, um sentimento que é de todos, como o que ontem encheu o centro da cidade de são Paulo (…) Ali estava o povo mesmo, o povo povo, constituído pela reunião de todos os grupos que trabalham pela grandeza da pátria. (Folha de S. Paulo, 20.03.1964)
Meio milhão de paulistanos e paulistas manifestaram ontem em São Paulo, em nome de Deus e em prol da liberdade, seu repúdio ao comunismo e à ditadura e seu apego à lei e à democracia. (O Estado de S. Paulo, 20-03-1964)
Como sabemos, só a adoção do parlamentarista permitiu a João Goulart assumir o poder, quando Jânio Quadros renunciou.
Jango submeteu a questão a plebiscito: o presidencialismo foi restaurado com 80% dos votos!
Apesar da clara demonstração de apoio popular a Jango, o Estadão escreveu: “Acusarão um comparecimento de votantes suficientes para dar ao país a impressão de que houve uma adesão popular ao ponto de vista palaciano. (…) O plebiscito é apenas uma etapa. (…) Outras virão para completá-lo para permitir ao sr. presidente da República que dê mais um passo à frente no terreno da abolição de nossas franquias constitucionais”.
Ou seja, é a mesma lógica que se aplica hoje ao governo chavista da Venezuela: por mais que o governo vença eleições, ele é acusado de atentar contra a democracia!
Trecho do texto do professor Luiz Antonio Dias no livro:
“O Ipes [Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais] também e organizava organizações femininas. Dentre as mais importantes, merece destaque a Campanha da Mulher pela Democracia (CAMDE), composta de senhoras de classe média à alta burguesia, que via a presença do “demônio” do comunismo no governo João Goulart. O auge desses movimentos femininos foi em 19 de março de 1964 com a famosa ‘Marcha’. Seguindo os fortes ventos que sopravam para a direita, a Folha de S. Paulo exibiu — no dia seguinte à ‘Marcha’– a seguinte manchete: “São Paulo parou ontem para defender o regime”. As matérias e o editorial colocavam o povo de São Paulo como salvador da democracia”.
Importante lembrar que tanto os empresários Octávio Frias e Carlos Caldeira, da Folha, quanto os irmãos Mesquita, do Estadão, aderiram ao Ipes, uma espécie de Instituto Millenium anabolizado. Organizado por empresários, o Ipes promoveu uma campanha anticomunista que ajudou a demonizar Goulart.
Conclusão do professor, no texto acima citado:
Diante de tudo que foi apresentado, podemos concluir que o golpe de 1964 foi muito bem recebido pela Folha. O OESP também comemorou ao lado dos vencedores e, mais, com a vitória dos golpistas contribuiu com propostas para a nova ordem: ‘Uma terceira proposta vinha do jornalista Júlio de Mesquita Neto (…) e foi a primeira a chamar-se Ato Institucional. Sugeria a dissolução do Senado, Câmara e Assembleias Legislativas, anulava o mandato de governadores e prefeitos, suspendia o habeas corpus e pressupunha o primeiro de uma série (Gaspari, idem, p.122). É interessante notar que o Ato Institucional I, de 9 de abril de 1964, efetivou grande parte dessas sugestões, em especial, a autorização para a suspensão e cassação de políticos.
Se a posição do Estadão ficou bastante clara, ou seja, o jornal conspirou efetiva e abertamente contra o Governo Goulart, por outro lado a Folha aparentemente apenas ‘trabalhou’ de modo jornalístico contra o presidente João Goulart. No entanto, acreditamos que esse ‘trabalho’ jornalístico — de lançar matérias deturpadas e editoriais tendenciosos — teve tanta importância quanto as reuniões de Júlio Mésquita Filho com os militares golpistas.
Importante lembrar que, ironicamente, o Estadão foi o jornal mais censurado pelos militares (1.100 textos afetados em três anos).
Quanto à Folha, colaboracionista, depois do golpe ficou com o que restou do jornal que ajudou a destruir, aÚltima Hora, além de comprar o Notícias Populares – que havia sido montado para combater o UH de Samuel Wainer, jornal que apoiava o governo trabalhista deposto. Além disso, nos anos 70 os Frias entraram no espólio da destruída TV Excelsior e emprestaram um jornal à ditadura, a Folha da Tarde. Segundo o professor, entre 1964 e 1968 o patrimônio da Folha cresceu 5 vezes!
Abaixo, uma entrevista altamente recomendável com o professor Luiz Antonio Dias.


Leia também:

Alckmin vai repassar mais dinheiro ao setor privado para fazer menos hospitais / Viomundo

Foto: Antônio Cruz/ABr
por Conceição Lemes
A rede hospitalar pública do Estado de São Paulo possui aproximadamente 18,6 mil leitos.
Em 2013, o governo Geraldo Alckmin (PSDB) decidiu ampliá-los.
A proposta da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP), apresentada em audiência de 6 de maio de 2013, era criar quatro complexos hospitalares:
Centro de Reabilitação e Tratamento dos Olhos e Ouvidos (CERTOO), no complexo do Hospital das Clínicas (HC): 75 leitos (10 de UTI), 10 salas cirúrgicas, atendimento ambulatorial, serviços especializados de serviços de urgência e emergência e de diagnóstico por imagem.
Centro de Referência em Saúde da Mulher Nova Luz: 172 leitos (42 de UTI), 10 salas cirúrgicas, atendimento ambulatorial, serviços de urgência e emergência, de diagnóstico por imagem e centros de reprodução assistida e de referência em vítimas de violência sexual.
Hospital Estadual de Sorocaba: 250 leitos (100 de UTI), 10 salas cirúrgicas, serviço de diagnóstico por imagem e centro de ensino e pesquisa.
Hospital Estadual de São José dos Campos: 178 leitos (44 de UTI), 6 salas cirúrgicas, serviços de urgência e emergência, de diagnóstico por imagem e atendimento ambulatorial.
O modelo escolhido para viabilizá-los foi o de Parceria Público-Privada (PPP). A administração pública paga a parceiros privados para executar funções antes exercidas pelo Estado. São concessões patrocinadas.
O projeto original da PPP Complexos Hospitalares, como é denominada, pressupunha:
* Criação de 675 leitos.
* Distribuição dos quatro hospitais em dois lotes para fins de licitação. O lote 1 abrangia o CERTOO e o Hospital de Sorocaba. O 2, o Hospital Estadual de São José dos Campos e o Centro de Referência em Saúde da Mulher.
* Concessão à iniciativa privada para construção dos hospitais, compra, instalação e manutenção dos equipamentos, assim como a gestão de todos os serviços de apoio hospitalar não assistenciais. São chamados de“bata cinza: lavanderia, limpeza e desinfecção, telefonia, nutrição, vigilância, portaria e recepção.
* Prazo do contrato de concessão: 20 anos, sendo 3 de construção e 17 de operação.
* Custo estimado do contrato para erário estadual: R$ 4,8 bilhões, sendo R$ 2,2 bilhões para o lote 1 e R$ 2,6 bilhões para o lote 2.
Porém, em reunião realizada em 19 de setembro de 2013, no Palácio dos Bandeirantes, o Grupo Gestor de PPP do governo paulista aprovou duas alterações importantes no projeto original:
Exclusão do CERTOO.
Atualização para agosto de 2013 dos valores estimados para os três complexos mantidos.
No lote 2,  permaneceram o Hospital Estadual de São José dos Campos e Centro de Referência em Saúde da Mulher Nova Luz. No 1, apenas o Hospital de Sorocaba.
A decisão saiu no Diário Oficial do Estado de São Paulo de 17 de outubro do ano passado.
Com base nessa deliberação, a SES-SP realizou concorrência internacional, objetivando a PPP Complexos Hospitalares. O resultado está prestes a sair.
Independentemente dos grupos empresariais ganhadores, os perdedores são os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). É mais um golpe dos tucanos no já combalido sistema de saúde pública do Estado de São Paulo.
Explico. Para começar, a população perdeu um hospital. Junto foi reduzido o número total de leitos previstos. Caiu de 675 para 626.
Em compensação, a iniciativa privada vai ganhar mais para fazer menos.
Lembram-se os R$ 4,8 bilhões previstos para os quatro complexos hospitalares?
Agora, são R$ 5,1 bilhões para três hospitais! Esse valor supera em R$ 300 milhões o cálculo previsto para quatro. Serão R$ 255 milhões anuais ao longo de 20 anos.
Para garantir melhores lucros aos empresários, o governo paulista concedeu isenção de ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias) para a PPP, como consta do decreto nº 59.620, de 18 de outubro de 2013.
Consequentemente, vai se arrecadar menos ICMS. Menos dinheiro será repassado então à saúde. Em contrapartida, a isenção do ICMS potencializará o ganho privado.
Mas o governo Alckmin foi além:
* Para ajudar a bancar a parte do Estado na PPP – é o que se chama de contraprestação –, editou em 2013 três decretos, que retiram R$ 80 milhões da assistência farmacêutica. Ou seja, são menos R$ 80 milhões para a distribuição de remédios à população.
*O edital já prevê a quarteirização dos serviços, uma vez que o principal operador privado poderá subcontratar tudo e sem limite.
Aliás, no projeto de lei, enviado à Assembleia Legislativa, visando obter autorização para fazer empréstimo para essas obras, a Secretaria de Saúde, logo na apresentação,  justifica a opção pela PPP. Diz que é a saída. E critica o modelo das Organizações Sociais de Saúde (OSs) pelo custo excessivo e gerenciamento.
Interessante notar que até pouco tempo atrás o tucanato paulista só tecia loas às OSs.
“Os hospitais gerenciados por Organizações Sociais são exemplo de economia e eficiência”, dizia aSecretaria de Estado da Saúde em seu site em 2011.
Hoje, tentei acessá-lo. A página foi tirada do ar.
O seu conteúdo, porém, pode ser lido na reportagem Hospitais públicos de SP gerenciados por OSs: Rombo acumulado é de R$147,18 milhõespublicada pelo Viomundo, em junho de 2011.  Na época, fiz o print da página e postei-o como imagem.
Agora, no mesmo projeto enviado à Assembleia Legislativa, o governo paulista — pasme! — diz que a parte assistencial (a chamada “bata branca”) dos hospitais de São José dos Campos e Sorocaba será gerenciada por OSs.
Isso significa que os hospitais São José dos Campos e Sorocaba ficarão totalmente nas mãos da iniciativa privada. No caso do Centro de Referência em Saúde da Mulher Nova Luz (CRSM), apenas a parte administrativa estará nessa situação. A parte clínica será tocada por equipe própria.
SECRETARIA DA SAÚDE NÃO RESPONDE QUESTIONAMENTOS DO VIOMUNDO
No dia 6 de março, enviei à SES-SP, via assessoria de imprensa do órgão, as seguintes perguntas:
1) Por que o governo em vez dos quatros hospitais fará três?
2) Por que o custo do projeto subiu em vez de diminuir com a eliminação do CERTOO?
3) Esses hospitais estão previstos para quando?
4) Dos três hospitais, dois serão administrados por OSs. Só que no projeto de lei enviado à Assembleia Legislativa há uma crítica ao modelo das OSs pelos seus custos crescentes. Por que mesmo assim o governo paulista vai entregar esses dois novos hospitais a OSs?
Apesar das reiteradas solicitações, inclusive nesta sexta-feira 21, a Secretaria de Estado de Saúde não respondeu os questionamentos do Viomundo.
O fato é que o governador Geraldo Alckmin está adotando para os três complexos hospitalares o mesmo modelo privatizante dos pedágios das rodovias paulistas. Ou seja,  vai entregar a saúde da população àqueles que a veem apenas como produto a ser comprado.
Para piorar, já está em andamento a PPP Logística de Medicamentos, “visando a Concessão Administrativa para Reorganização, Estruturação, Implantação e Operação dos Processos Logísticos da Assistência Farmacêutica, Imunização e Outros Insumos do Estado de São Paulo”.
O edital da PPP Logística de Medicamento prevê o pagamento, durante 20 anos, de R$ 152 milhões anuais ao setor privado.
Alckmin também já enviou à Assembleia Legislativa projeto de lei para expandir o modelo das Organizações Sociais para outras áreas secretarias além de Saúde, Necessidades Especiais e Cultura.
Em português claro: ao entregar esses serviços para terceiros, os tucanos, mesmo que percam as eleições em outubro,  continuarão  indiretamente no controle de fatias do governo paulista.

domingo, 23 de março de 2014

16 conselhos para você fazer sucesso como um novo anticomunista


Postado em 23 Mar 2014
RedMenacePoster

O anticomunismo está na moda, como na Guerra Fria. Com uma novidade: nunca tantos malucos foram tão barulhentos, ao menos no Facebook e em marchas. Não é preciso muito: basicamente, você só tem de ser relativamente ignorante e repetir feito um papagaio alguma poucas palavras e expressões como “petralha ladrão”, “lulopetista”, “Miami é que é bom”, “isso aqui não tem jeito”. Esse é um bom começo.
Mas a verdade é que os socialistas estão batendo às nossas portas, ameaçando as nossas famílias e, se você quiser fazer sucesso numa festa de gente burra e sem noção da realidade, eis alguns conselhos importantes para se tornar um novo anticomunista.
  1. Insista que o marxismo está desacreditado, desatualizado e totalmente morto e enterrado. Em seguida, faça uma carreira lucrativa batendo nesse cavalo morto pelo resto da sua vida.
  2. Comunismo ou marxismo é o que você quiser que seja. Sinta-se livre para rotular países, movimentos e regimes como “comunistas”, independentemente de coisas como ideologia, relações diplomáticas, política econômica etc.
  3. Se houver um conflito envolvendo comunistas, todas as mortes devem ser culpa do comunismo. Tenha cuidado ao aplicar isto à Segunda Guerra Mundial. Fascistas que lutaram contra os soviéticos tudo bem, mas tente não elogiar abertamente a Alemanha nazista. Deixe isso para conversas privadas.
  4. Cite constantemente George Orwell. Fale da “Revolução dos Bichos” ou de “1984”. Diga que Lula é o Grande Irmão.
  5. Cite Reinaldo Azevedo, Rodrigo Constantino, Olavo de Carvalho. Cite Nelson Rodrigues, que você nunca leu e não entende muito bem, mas isso não vem ao caso.
  6. Mencione quantidades maciças de “vítimas do socialismo” sem se importar com demografia ou consistência. 3 milhões de pessoas mortas de fome? 7 milhões? 10 milhões? 100 milhões no total? Você não precisa se preocupar com ninguém verificando se é verdade, o que é bom já que você não tem a menor ideia.
  7. Diga que o petismo, o socialismo, o marxismo ou o psolismo são um tipo de fé religiosa, messiânica, ou qualquer outra besteira que possa inventar. Quando as pessoas disserem que é possível traçar semelhanças entre qualquer ideologia política e uma religião, ignore-as.
  8. Duas palavras: natureza humana. O que é a natureza humana? Para seus propósitos, a natureza humana é uma maneira rápida de explicar por que as idéias políticas de que você não gosta estão erradas.
  9. Use palavras como “liberdade” e “democracia” constantemente. Não aceite qualquer desafio para definir esses termos.
  10. Você não quer um golpe, você quer uma intervenção militar, o que está garantido na Constituição. Não está, mas repita essa frase.
  11. Diga “Vai pra Cuba, vagabundo” a qualquer pessoa que discordar de você sobre qualquer assunto.
  12. Esquerdistas podem ser usados a favor ou contra o que for mais adequado no momento. Se você estiver numa turma mais conservadora, os esquerdistas são gayzistas. Se você estiver no meio de gente mais descolada, os esquerdistas são homofóbicos. Essencialmente, os esquerdistas são degenerados e puritanos ao mesmo tempo.
  13. O Mais Médicos é parte de um plano de infiltração cubana no Brasil.
  14. Você não precisa sabe o que é bolivarianismo para acusá-lo de ser responsável por tudo o que está errado na América do Sul. O bolivarianismo destruiu a Venezuela e destruirá o Brasil. É uma espécie de saúva.
  15. O papa é comunista.
  16. Nova Ordem Mundial. Quando se esgotarem todos os argumentos, diga: “Nova Ordem Mundial”. E saia para não ser obrigado a explicar que se trata de uma teoria conspiratória estúpida.

Sobre o Autor
Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Um ano sem Chávez: o legado épico do homem que tornou a Venezuela independente dos Estados Unidos

Postado em 05 Mar 2014
Chávez com o retrato de seu inspirador, Bolívar
Chávez com o retrato de seu inspirador, Bolívar
A América Latina foi infestada, a partir dos anos 1950, por militares patrocinados pelos Estados Unidos.
Eles transformaram a região num monumento abjeto da desigualdade social, e impuseram com a força das armas sua tirania selvagem e covarde.
Pinochet foi o maior símbolo desses militares, aos quais os brasileiros não escaparam: Castelo Branco, Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo foram capítulos lastimáveis da história moderna nacional.
Hugo Chávez rompeu, espetacularmente, com a maldição dos homens de farda a serviço dos americanos e de uma pequena elite predadora e gananciosa.
Paraquedista de formação, coronel na patente, Chávez escolheu o lado dos excluídos, dos miseráveis – e  por isso fez história na sua Venezuela, na América Latina e no mundo contemporâneo.
Chávez foi filho do Caracaço – a espetacular revolta, em 1989, dos pobres venezuelanos diante da situação desesperadora a que foram levados na gestão do presidente Carlos Andrés Perez.
Carne de cachorro passou a ser consumida em larga escala por famintos que decidiram dar um basta à iniquidade. A revolta foi esmagada pelo exército venezuelano, e as mortes segundo alguns chegaram a 3 000.
Uma ala mais progressista das forças armadas ficou consternada com a forma como venezuelanos pobres foram reprimidos e assassinados.
Hugo Chávez, aos 34 anos, pertencia a essa ala.
Algum tempo depois, ele liderou uma conspiração militar que tentou derrubar uma classe política desmoralizada, inepta e cuja obra foi um país simplesmente vergonhoso.
O levante fracassou. Antes de ser preso, Chávez assumiu toda a responsabilidade pela trama e instou a seus liderados que depusessem as armas para evitar que sangue venezuelano fosse vertido copiosamente.
Chávez aprendeu ali que o caminho mais reto para mudar as coisas na Venezuela era não o das armas, mas o das urnas.
Carismático e popular,  Chávez se elegeu presidente em 1998. Pela primeira vez na história recente da Venezuela, um presidente não dobrava a espinha para os Estados Unidos.
Isso custou a Chávez a perseguição obstinada de Washington. Mas entre os venezuelanos pobres – a esmagadora maioria da população – ele virou um quase santo.
A tristeza dos pobres em seu funeral só guarda paralelo com dois outros lutos na América Latina: a morte de Getúlio, no Brasil, e a de Evita, na Argentina.
Chávez comandou projetos sociais – as missiones — que retiraram da miséria milhões de excluídos. Alfabetizou-os,  ofereceu-lhes cuidados médicos por conta de médicos cubanos – e acima de tudo lhes deu auto-estima. Os desvalidos tinham enfim um presidente que se interessava por eles.
O tamanho da popularidade de Chávez pode se medir num fato extraordinário: um grupo bancado pelos Estados Unidos tentou derrubá-lo em 2002. Mas em dois dias ele estava de volta ao poder, pela pressão sobretudo dos mesmos venezuelanos humildes que tinham protagonizado o Caracaço.
Amado pelo seu povo
Venezuelanos choram a morte de Chávez
Quanto ele mudou a Venezuela se percebe pelo fato de que, nas eleições presidenciais de outubro passado, a oposição colocou em seu programa os projetos sociais chavistas que, antes, eram combatidos e ridicularizados.
Antes de morrer, Chávez teve tempo de pedir aos venezuelanos que apoiassem Nicolas Maduro, seu auxiliar e amigo mais próximo. Foi apoiado. Maduro ganhou as eleições mesmo contra uma coligação infindável de grupos de oposição.
Um ano depois da morte de Chávez, os Estados Unidos, fieis a seus velhos métodos de desestabilização, estão por trás de protestos de gente que pede não inclusão, não justiça social — mas o retorno da antiga ordem iníqua e abjeta.
É aquela história: os americanos falam em democracia mas não hesitam em destruí-la em outras partes para manter seus privilégios internacionais. Os brasileiros sabem dolorosamente disso, por conta de 64.
As chances da Venezuela de resistir à sabotagem smericana podem crescer agora com a demonstração da Rússia de que não quer mais ficar num segundo plano em relação aos Estados Unidos. Ontem, o governo venezuelano divulgou uma carta em que Putin homenageava Chávez, e nele os avanços sociais dos últimos anos.
Há problemas econômicos na Venezuela? Claro. Mas Chávez herdou uma situação calamitosa. A elite venezuelana não poderia ter feito um trabalho mais deletério no comando do país.
Chávez se bateu epicamente por consertar um país socialmente putrefato. Não bastasse o tamanho dos desafios, trabalhou todo o tempo sob boicote da plutocracia venezuelana e dos senhores dela, os Estados Unidos.
Seu maior feito é que a Venezuela, pós-Chávez, jamais voltará a ser o que foi antes dele – um quintal dos Estados Unidos administrado por uma minúscula, gananciosa, predadora elite que jamais enxergou os pobres.
Paulo Nogueira
Sobre o Autor
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

sábado, 1 de março de 2014

ARTIGO DE LULA: POR QUE O BRASIL É O PAÍS DAS OPORTUNIDADES


Por Luiz Inácio Lula da Silva

Passados cinco anos do início da crise global, o mundo ainda enfrenta suas consequências, mas já se prepara para um novo ciclo de crescimento. As atenções estão voltadas para mercados emergentes como o Brasil. Nosso modelo de desenvolvimento com inclusão social atraiu e continua atraindo investidores de toda parte. É hora de mostrar as grandes oportunidades que o país oferece, num quadro de estabilidade que poucos podem apresentar.

Nos últimos 11 anos, o Brasil deu um grande salto econômico e social. O PIB em dólares cresceu 4,4 vezes e supera US$ 2,2 trilhões. O comércio externo passou de US$ 108 bilhões para US$ 480 bilhões ao ano. O país tornou-se um dos cinco maiores destinos de investimento externo direto. Hoje somos grandes produtores de automóveis, máquinas agrícolas, celulose, alumínio, aviões; líderes mundiais em carnes, soja, café, açúcar, laranja e etanol.

Reduzimos a inflação, de 12,5% em 2002 para 5,9%, e continuamos trabalhando para trazê-la ao centro da meta. Há dez anos consecutivos a inflação está controlada nas margens estabelecidas, num ambiente de crescimento da economia, do consumo e do emprego. Reduzimos a dívida pública líquida praticamente à metade; de 60,4% do PIB para 33,8%. As despesas com pessoal, juros da dívida e financiamento da previdência caíram em relação ao PIB.

Colocamos os mais pobres no centro das políticas econômicas, dinamizando o mercado e reduzindo a desigualdade. Criamos 21 milhões de empregos; 36 milhões de pessoas saíram da extrema pobreza e 42 milhões alcançaram a classe média.

Quantos países conseguiram tanto, em tão pouco tempo, com democracia plena e instituições estáveis?

A novidade é que o Brasil deixou de ser um país vulnerável e tornou-se um competidor global. E isso incomoda; contraria interesses. Não é por outra razão que as contas do país e as ações do governo tornaram-se objeto de avaliações cada vez mais rigorosas e, em certos casos, claramente especulativas. Mas um país robusto não se intimida com as críticas; aprende com elas.

A dívida pública bruta, por exemplo, ganhou relevância nessas análises. Mas em quantos países a dívida bruta se mantém estável em relação ao PIB, com perfil adequado de vencimentos, como ocorre no Brasil? Desde 2008, o país fez superávit primário médio anual de 2,58%, o melhor desempenho entre as grandes economias. E o governo da presidenta Dilma Rousseff acaba de anunciar o esforço fiscal necessário para manter a trajetória de redução da dívida em 2014.

Acumulamos US$ 376 bilhões em reservas: dez vezes mais do que em 2002 e dez vezes maiores que a dívida de curto prazo. Que outro grande país, além da China, tem reservas superiores a 18 meses de importações? Diferentemente do passado, hoje o Brasil pode lidar com flutuações externas, ajustando o câmbio sem artifícios e sem turbulência. Esse ajuste, que é necessário, contribui para fortalecer nosso setor produtivo e vai melhorar o desempenho das contas externas.

O Brasil tem um sistema financeiro sólido e expandiu a oferta de crédito com medidas prudenciais para ampliar a segurança dos empréstimos e o universo de tomadores. Em 11 anos o crédito passou de R$ 380 bilhões para R$ 2,7 trilhões; ou seja, de 24% para 56,5% do PIB. Quantos países fizeram expansão dessa ordem reduzindo a inadimplência?

O investimento do setor público passou de 2,6% do PIB para 4,4%. A taxa de investimento no país cresceu em média 5,7% ao ano. Os depósitos em poupança crescem há 22 meses. É preciso fazer mais: simplificar e desburocratizar a estrutura fiscal, aumentar a competitividade da economia, continuar reduzindo aportes aos bancos públicos, aprofundar a inclusão social que está na base do crescimento. Mas não se pode duvidar de um país que fez tanto em apenas 11 anos.

Que país duplicou a safra e tornou-se uma das economias agrícolas mais modernas e dinâmicas do mundo? Que país duplicou sua produção de veículos? Que país reergueu do zero uma indústria naval que emprega 78 mil pessoas e já é a terceira maior do mundo?

Que país ampliou a capacidade instalada de eletricidade de 80 mil para 126 mil MW, e constrói três das maiores hidrelétricas do mundo? Levou eletricidade a 15 milhões de pessoas no campo? Contratou a construção de 3 milhões de moradias populares e já entregou a metade?

Qual o país no mundo, segundo a OCDE, que mais aumentou o investimento em educação? Que triplicou o orçamento federal do setor; ampliou e financiou o acesso ao ensino superior, com o Prouni, o FIES e as cotas, e duplicou para 7 milhões as matrículas nas universidades? Que levou 60 mil jovens a estudar nas melhores universidades do mundo? Abrimos mais escolas técnicas em 11 anos do que se fez em todo o Século XX. O Pronatec qualificou mais de 5 milhões de trabalhadores. Destinamos 75% dos royalties do petróleo para a educação.

E que país é apontado pela ONU e outros organismos internacionais como exemplo de combate à desigualdade?

O Brasil e outros países poderiam ter alcançado mais, não fossem os impactos da crise sobre o crédito, o câmbio e o comércio global, que se mantém estagnado. A recuperação dos Estados Unidos é uma excelente notícia, mas neste momento a economia mundial reflete a retirada dos estímulos do Fed. E, mesmo nessa conjuntura adversa, o Brasil está entre os oito países do G-20 que tiveram crescimento do PIB maior que 2% em 2013.

O mais notável é que, desde 2008, enquanto o mundo destruía 62 milhões de empregos, segundo a Organização Internacional do Trabalho, o Brasil criava 10,5 milhões de empregos. O desemprego é o menor da nossa história. Não vejo indicador mais robusto da saúde de uma economia.

Que país atravessou a pior crise de todos os tempos promovendo o pleno emprego e aumentando a renda da população?

Cometemos erros, naturalmente, mas a boa notícia é que os reconhecemos e trabalhamos para corrigi-los. O governo ouviu, por exemplo, as críticas ao modelo de concessões e o tornou mais equilibrado. Resultado: concedemos 4,2 mil quilômetros de rodovias com deságio muito acima do esperado. Houve sucesso nos leilões de petróleo, de seis aeroportos e de 2.100 quilômetros de linhas de transmissão de energia.

O Brasil tem um programa de logística de R$ 305 bilhões. A Petrobras investe US$ 236 bilhões para dobrar a produção até 2020, o que vai nos colocar entre os seis maiores produtores mundiais de petróleo. Quantos países oferecem oportunidades como estas?

A classe média brasileira, que consumiu R$ 1,17 trilhão em 2013, de acordo com a Serasa/Data Popular, continuará crescendo. Quantos países têm mercado consumidor em expansão tão vigorosa?

Recentemente estive com investidores globais no Conselho das Américas, em Nova Iorque, para mostrar como o Brasil se prepara para dar saltos ainda maiores na nova etapa da economia global. Voltei convencido de que eles têm uma visão objetiva do país e do nosso potencial, diferente de versões pessimistas. O povo brasileiro está construindo uma nova era – uma era de oportunidades. Quem continuar acreditando e investindo no Brasil vai ganhar ainda mais e vai crescer junto com o nosso país.

Luiz Inácio Lula da Silva é ex-presidente da República e presidente de honra do PT