sábado, 10 de novembro de 2012

Pré julgado / 9/11/12


Publicado em 09/11/2012

Pagamento suspeito a testemunha-chave 'deveria' causar reviravolta no mensalão



Por Helena Sthephanowitz, especial para a Rede Brasil Atual

Em agosto último, o blogueiro Reinaldo Azevedo, da revista Veja, pediu para seus leitores espalhar na internet a história de uma "ex-petista", que teria perdido o emprego no Banco do Brasil por se negar a atestar campanha publicitária da DNA Propaganda, e estaria passando dificuldades por isso. O texto era tirado de uma "reportagem" da própria revista.
Tratava-se de Danevita Ferreira de Magalhães, ex-gerente do Núcleo de Mídia do BB. Segundo seu depoimento ao Ministério Público no processo do chamado "mensalão", ela declarou que teria se recusado a assinar documentos atestando a realização de campanhas publicitárias, pois saberia que eram simuladas para desvio de dinheiro; e disse que quem mandava assinar era Henrique Pizzolato, o então diretor de marketing.
Esse depoimento foi peça-chave da denúncia pelo Procurador-Geral da República (pags. 162 a 165), e foi citado como prova para condenação dos réus envolvidos no caso da Visanet por diversos ministros do STF.
Acontece que os doutores Roberto Gurgel e Joaquim Barbosa deixaram passar despercebido nos autos um fato que provoca uma reviravolta nesse testemunho, a ponto de perder a credibilidade.
Está nas páginas de 77 a 83 do relatório da Polícia Federal do inquérito 2474-1/140, sobre o inquérito policial 002/2007-FINIDCORIDOF, conduzido pelo delegado PF Zampronha, solicitado pelo ministro Joaquim Barbosa.
Tal relatório rastreou o caminho do dinheiro do Fundo de Incentivo Visanet para a DNA Propaganda, e para onde foi o dinheiro depois disso. Encontrou oito pagamentos da DNA para a empresa Diretorial Planejamento e Representações Ltda, em 2003 e 2004, no total de R$ 2.297.671,18.
O dono da Diretorial é Domingos Fernando Cavadinha Guimarães Filho, genro do ex-senador Marco Maciel. A empresa é estabelecida em Recife e atuava intermediando anúncios de uma empresa de São Paulo que explorava relógios termômetros instalados nas ruas da capital paulista.
O delegado da PF enxergou nessa intermediação uma espécie de "pedágio" desnecessário. Afinal por que as agências de publicidade que serviam ao Banco do Brasil não negociavam diretamente com a empresa de São Paulo, sem ter que dar a volta passando por Pernambuco? 
Mas o mais revelador vem a seguir. Ao quebrar o sigilo bancário da Diretorial, foi encontrada uma transferência de R$ 25 mil, no dia 10 de março de 2003, para Danevita Ferreira de Magalhães, a testemunha-chave citada acima.
Ou seja, parte do dinheiro que saiu do Fundo Visanet, liberado com a participação de Danevita, acabou caindo na conta dela, após passar pela agência de publicidade, e depois pela empresa do genro do ex-senador pernambucano. Com certeza o depoimento de Danevita usado para fundamentar a Ação Penal 470 (o caso mensalão) fica bastante enfraquecido diante deste fato.
Esse pagamento também desmonta a estória contada pela revista Veja. Na "reportagem" da revista, já dizia que Danevita era funcionária naquele cargo do BB desde 1997, ano em que o Banco do Brasil estava sob comando do governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), cujo vice-presidente era Marco Maciel (PFL, atual DEM).
Logo, parece erro da revista dizer que ela seria petista. E após conhecer o relatório do delegado Zampronha, que evita pré condenar alguém, seria recomendável maior apuração sobre os motivos para aquele pagamento de R$ 25 mil, e sobre o que se passava naquela gerência que ela ocupava, antes de elevar a ex-funcionária à condição de mártir.

Veja / só mentiras / Blog do Miro


sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Veja acusou filho de Lula. E agora?

Por Altamiro Borges

O Ministério Público e a Polícia Federal decidiram arquivar as investigações sobre as suspeitas de tráfico de influência nos negócios de Fabio Luis, filho mais velho do ex-presidente Lula. O inquérito durou longos sete anos e os dois órgãos concluíram que não houve nada de irregular nas atividades empresarias dele na firma Gamecorp.  A decisão pelo arquivamento foi proferida pelo Ministério Público Federal. Para o procurador Marcus Goulart, todas as acusações contra Fabio Luis “são absolutamente insuficientes” e “infundadas”.

As primeiras acusações contra o filho do ex-presidente Lula foram feitas pela revista Veja – o que não é de se estranhar. No clima da eleição presidencial de 2006, a publicação fascistóide da famiglia Civita deu uma capa espalhafatosa contra “O ‘Ronaldinho’ do Lula”, insinuando que ele seria um “fenômeno” no mundo dos negócios. Na sequência, o que também não causa surpresa, jornalões e emissoras de tevê repercutiram as denúncias e a oposição demotucana seguiu a trilha aberta pela Veja para acusar o ex-presidente.

Concluída a investigação do MPF e da PF, como fica a revista Veja? A Justiça vai continuar protegendo a publicação do Grupo Abril? Ela pode acusar sem provas, de maneira leviana e criminosa? A “presunção de inocência” foi retirada da Constituição Federal? A famiglia Civita está acima das leis e do Estado de Direito?  

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Saul Leblon / Carta Maior /8/11/12



08/11/2012

A caça aos passaportes e o macartismo à brasileira

O ministro Joaquim Barbosa determinou aos 25 réus condenados no processo do chamado 'mensalão' que entreguem seus passaportes no prazo de 24 horas -- além de inclui-los na lista de 'procurados' da PF. A alegada medida 'cautelar' está prevista em lei para determinados casos, como informou Carta Maior em reportagem de Najla Passos (leia nesta pág.).

Neste, porém, a decisão vem contaminada de um ingrediente que orientou todo o julgamento da Ação Penal 470 e lubrificou a parceria desfrutável entre a toga e a mídia.

Trata-se da afronta ao princípio básico da presunção da inocência, esquartejado em nome de uma panaceia complacente denominada 'domínio de fato'. Ou, 'o que eu acho que aconteceu doravante será a lei'.

A caça aos passaportes sem que se tenha esboçado qualquer disposição de fuga (apenas um dos 25 réus ausentou-se do país antes do seu julgamento e, ao contrário, retornou a ele antes de ser condenado) adiciona a essa espiral um acicate político. 

Trata-se de uma aguilhoada nos réus que formam o núcleo dirigente do PT, com o objetivo explícito de joga-los contra a opinião pública, justamente por manifestarem críticas à natureza do processo.

A represália é admitida explicitamente. Segundo o relator Joaquim Barbosa, os réus estariam “afrontando” a corte ao questionar suas decisões.

O revide inusitado vem adicionar mais uma demão à fosforescente tintura política de um processo, desde o seu início ordenado por heterodoxias sublinhadas pelo revisor Ricardo Lewandowski.

O propósito de provocar a execração pública com a caça aos passaportes e a inclusão provocativa na lista de 'procurados' da PF, remete a um método que se notabilizou em um dos mais sombrios episódios da democracia norte-americana: o macartismo.

O movimento da caça aos comunistas no EUA, nos anos 50, embebia-se de um contexto de violência gerado pela guerra fria, mas aperfeiçoaria suas próprias turquesas nessa habilidade manipuladora. 

O senador republicano Joseph Raymond McCarthy, seu líder, tornou-se um virtuose na arte letal de condenar suspeitos à revelia das provas, liderando uma habilidosa engrenagem de manipulação da opinião pública, coagida pelo medo a aplaudir linchamentos antes de se informar.

Joseph McCarthy teve uma vida cheia de dificuldades até se tornar a grande vedete da mídia conservadora, cujo endosso foi decisivo para se tornar a estrela mais reluzente da Guerra Fria. 

Sem a mídia, seus excessos e ilegalidades não teriam atingido um ponto de convulsão coletiva, forte o suficiente para promover a baldeação do pânico em endosso à epidemia de delatar, perseguir, acuar e condenar -- independente das provas e muitas vezes contra elas.

McCarthy nasceu no estado do Wisconsin, no seio de uma família muito pobre da área rural. Estudou num estábulo improvisado em sala de aula. Sua infância foi de trabalhador braçal em granjas. 

Quando pode mudou-se para a cidade, fazendo bicos de toda sorte para sobreviver. No ambiente de salve-se quem puder produzido pelo colapso de 29, era um desesperado nadando sozinho para não se afogar no desespero da Nação. 

Nadando sem parar recuperou o tempo perdido em um curso de madureza que lhe adiantou quatro anos em um. Tornou-se advogado em 1936. Três anos depois, lutando sempre para não submergir, foi aprovado em um concurso como juiz; ingressou no Partido Republicano que o conduziria ao Senado, em 1946.

Ascendeu de forma aplicada e disciplinada, disposto a não regredir jamais à condição de origem. Aproveitando-se das relações partidárias aproximou-se do chefe do FBI, Herbert Hoover, pegando carona na causa anti-comunista que identificou como uma oportunidade em ascensão.

O resto é sabido. 

Em dueto carnal com a mídia extremista, passou a liderar o Comitê de Atividades Anti-Americanas no Congresso. Desse promontório incontestável no ambiente polarizado da época, disparou sem parar a guilhotina anti-comunista.

Tornou-se um simulacro de Robespierre da ordem capitalista ameaçada pelo urso vermelho. Pelo menos era assim que vendia seu peixe exclamativo.

O arsenal do terror vasculhava todos os ambientes da sociedade. Mas foi sobretudo nos meio artístico e intelectual que o garrote vil implantou a asfixia das suspeição generalizada, em cujo caldeirão fervia o ácido corrosivo das perseguições e da coação insuportável, não raro deflagradora de episódios deprimentes de delação. Chaplin, Brecht, Humphrey Bogart foram algumas das vítimas da voragem anti-comunista.

As provas eram um adereço secundário no espetáculo em que se locupletavam jornais e oportunistas de toda sorte. 

Nem era necessário levar os suspeitos aos tribunais. O método da saturação combinava denúncias com a execração pública automática. Num ambiente de suspeição generalizada o efeito era eficaz e destrutivo. 

A condenação antecipada encarcerava os denunciados numa lista negra que conduzia a uma prisão moral feita de alijamento social, político e profissional. Frequentemente levava a um isolamento pior que as grades da penitenciária.

A ruptura da identidade produz a morte em vida. Alguns preferiram o suicídio ao destino zumbi.

MacCarthy morreu em maio de 1958, desmoralizado por um jornalista conservador, mas sofisticado e corajoso, que resolveu afrontar seus métodos e arguir casos concretos de arbitrariedade. 

Edward Murrow, cujo embate político com McCarthy inspirou o filme 'Boa Noite e Boa Sorte', tinha um programa na internet de então, a TV em fraldas. 

No seu See it now, ele colhia provas de casos concretos de injustiça e esgrimia argumentos sólidos contra o denuncismo macartista. Não recuou ao ser colocado na lista negra e trincou a reputação do caçador de comunista a ponto de levá-lo a ser admoestado pelo Senado. 

Em um confronto decisivo, Murrow emparedou o consenso em torno de McCarthy: 'Se todos aqueles que se opõem ao senhor ou criticam seus métodos são comunistas (cmo McCarthy acusava) - e se isso for verdade - então, senador MacCarthy, este país está coalhado de comunistas!'

O Brasil não é os EUA da guerra fria, nem está submetido a comandos de caça aos comunistas, como já esteve, sob a ditadura militar, contra a qual alguns dos principais réus da Ação Penal 470 lutaram com risco de vida.

Certa sofreguidão condenatória, porém, ecoada de instâncias e autoridades que deveriam primar pela isenção e o apego às provas e, sobretudo, as sinergias entre a lógica da execração pública e o dispositivo midiático conservador --que populariza o excesso como virtude na busca de um terceiro turno redentor para suas derrotas eleitorais-- bafejam ares de um macartismo à brasileira nos dias que correm.

Foi o que advertiu com argúcia o jornalista, professor e escritor Bernardo Kucinski, autor do premiado 'K', a angustiante romaria de um pai em busca da filha nos labirintos da ditadura militar brasileira: 

"Estamos assistindo ao surgimento de um macartismo à brasileira. A Ação Penal 470 transformou-se em um julgamento político contra o PT. O que se acusa como crime são as mesmas práticas reputadas apenas como ilícito eleitoral quando se trata do PSDB, que desfruta de todos os atenuantes daí decorrentes. É indecoroso. São absolutamente idênticas. Só as distingue o tratamento político diferenciado do STF, que alimenta assim a espiral macartista. 

O mesmo viés se insinua com relação à mídia progressista. A publicidade federal quando dirigida a ela é catalogada pelo macartismo brasileiro como suspeita e ilegítima. Dá-se a isso ares de grave denúncia. Quando é destinada à mídia conservadora , trata-se como norma. 

O governo erra ao se render a esse ardil. Deveria, ao contrário, definir políticas explícitas de apoio e incentivo aos veículos que ampliam a pluralidade de visões da sociedade brasileira sobre ela mesma. Sufocar economicamente e segregar politicamente a imprensa alternativa é abrir espaço ao macartismo à brasileira".
Postado por Saul Leblon às 23:00

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Eliakim Araujo /Direto da Redação/ 7/11/12

Publicado em 07/11/2012

Obama outra vez


Em uma histórica eleição, Barack Obama foi reeleito presidente dos EUA, derrotando o rival, Mitt Romney, por 303 votos eleitorais contra 206 do adversário. Essa margem aparentemente folgada, entretanto, não revela a apertada diferença nos votos populares em favor de Obama. O presidente recebeu 58.961.607 de votos contra 56.600.765 do republicano, em termos percentuais 50 por cento contra 48 por cento.  Coisas do sistema eleitoral estadunidense, onde um candidato pode ter mais votos do que o outro e perder a eleição, como já aconteceu no passado.
Obama venceu em Estados chave, como Ohio, Florida, Colorado, Virginia e Iowa, que se mantiveram indefinidos até o fim e se transformaram em verdadeiros campos de batalha entre os candidatos nos últimos dias de campanha.
Destaque para a Flórida, que tem o terceiro maior colégio eleitoral do país e teve a disputa mais emocionante na contagem dos votos. Os dois candidatos se revezaram na liderança, numa alternância espetacular. A Flórida era considerada quase perdida pelo comando da campanha de Obama, mas ele acabou vencendo por 50 por cento a 49 por cento. Detalhe, agora de manhã, 8 horas nos EUA, ainda estavam contando votos no Estado mais complicado do país em matéria de administrar uma eleição.
O partido do presidente manteve a maioria no Senado e os republicanos ficaram com a maioria na Câmara dos Deputados, o que significa que Obama vai seguir encontrando as mesmas dificuldades para governar, sobretudo porque essa eleição levou o país a uma forte divisão ideológica, com acentuadas diferenças entre ricos e pobres e inegáveis traços de racismo.
No discurso da vitória, diante de milhares de eufóricos eleitores em Chicago, Obama prometeu: "O melhor ainda está por vir".

O mea culpa republicano

No dia seguinte à derrota nas urnas, os republicanos tentavam entender o que deu errado em uma eleição cuja  vitória parecia certa. Mas não é muito difícil localizar a causa principal do fracasso do velho GOP (Grand Old Party). .
Enquanto os democratas de aliaram às minorias, formando uma corrente virtual entre jovens, negros, latinos, asiáticos, pobres, gays e mulheres, os republicanos continuam presos a um passado conservador e completamente fora de sintonia com as necessidades de um país que se renovou.
Os republicanos precisam se livrar do jugo de extremistas do próprio partido e da mídia conservadora, como o apresentador Bill O’Reilly, da Foxnews, que logo após o anúncio da derrota de Romney, declarou irresponsavelmente que “a ideologia branca da sociedade americana hoje é minoria”.
Trocando em miúdos, as urnas de 2012 revelaram o perfil fracassado dos que votaram no candidato do Partido Republicano: eleitores velhos, brancos e do sexo masculino. Uma mistura fatal para ganhar uma eleição, numa país em que as minorias unidas tornaram-se maioria.

Castigo nas urnas


O candidato republicano ao Senado pelo Estado de Indiana, Richard Mourdock, aquele que afirmou que o “estupro só acontece pela vontade de Deus”, colheu o que plantou. Foi derrotado pelo democrata Joe Donnelly.
Esse foi um dos muitos abacaxis que Romney teve que descascar durante a campanha. Ele tinha que estar corrigindo não só suas próprias gafes como a de seus colegas republicanos.
Mourdock (na foto ao lado de Romney),  para justificar sua posição contrária ao aborto em qualquer situação, saiu-se com essa em pleno debate: “mesmo quando uma vida começa em uma situação horrível, como em um estupro, isso é algo que Deus planejou acontecer”.
E Romney, que tinha gravado um comercial apoiando a candidatura de Mourdock, teve que correr para dizer que não pensava da mesma forma.

O papelão do vice


Terminada a apuração com a vitória de Obama, os republicanos vão procurar uma explicação para a derrota. Com certeza, na hora da avaliação, alguém vai descobrir que um dos erros mais graves de Romney foi a escolha do vice, Paul Ryan.
Um sujeito antipático e extremamente conservador. É provável que sua indicação tenha sido uma imposição da ala mais radical do Partido Republicano, o Tea Party, em troca do apoio ao candidato. Com essa escolha, Romney optou por abandonar as minorias, os negros, os latinos, os gays e lésbicas e as mulheres, vistas como minoria por sua luta em favor do direito ao aborto, aos contraceptivos e à igualdade de salários.
Paul Ryan tem ideias retrógradas sobre essas questões polêmicas, além de ser um adepto de cortes de gastos no Medicare e Medicaid, os programas sociais de ajuda aos mais pobres e aposentados.
No domingo à noite, numa tentativa desesperada de garantir a vitória, Ryan foi capaz de afirmar numa reunião com eleitores evangélicos que Obama estava levando os Estados Unidos "por um caminho que compromete os valores judaico-cristãos e coloca em risco a própria civilização ocidental". Não é demais o cara?
Mais um que foi castigado pelas urnas

Educação, pra quê? Maria Fro / 8/11/12


Carta aberta da UDIME: deputados desperdiçam chance de votar a favor da educação

novembro 7th, 2012 by mariafro
Respond

Faz tempo que não vejo uma mobilização tão imediata e tão veloz como a que ocorreu de ontem à tarde até o momento em relação à chance perdida de 220 deputados que votaram por permanecer com o texto do projeto lei do Senado e não substituí-lo pelo do deputado Zarattini que estabelece 100% dos royalties para a educação: posts, listas, memes, mensagem indignadas circulam na rede contra esses 220 deputados e também questionando os mais de 100 deputados que faltaram em uma votação tão importante.
Deputada Manuela informa que a bancada do PCdoB reapresentou o projeto dos 100% dos royalties para a educação. Vamos acompanhar esses mais de 300 deputados terão uma nova chance antes de os professores deste país informarem a população quem está de fato do lado da educação, da soberania, da cidadania, da criação de oportunidades, da diminuição da desigualdade e quem apenas faz demagogia.
Do site da Udime
Autor: Undime
A decisão da Câmara dos Deputados de não aprovar a destinação de 100% dos royalties do petróleo para a educação pública brasileira terá um impacto negativo no desenvolvimento desta área social. Os parlamentares perderam uma grande oportunidade de vincular à educação mais uma fonte de financiamento diante das demandas históricas. É preciso alfabetizar as quase 13 milhões de pessoas, com mais de 15 anos. É preciso cumprir a Emenda Constitucional 59/ 2009 que determina a obrigatoriedade do ensino dos 4 aos 17 anos. Hoje, nessa faixa etária, há 3,5 milhões de crianças e adolescentes fora da escola. É preciso atender à demanda manifesta às creches públicas. É preciso cumprir a Lei do Piso Salarial Nacional para os Profissionais do Magistério Público. É preciso valorizar a carreira dos profissionais da educação e oferecer formação continuada. É preciso cumprir as demais Metas e as Estratégias previstas no Plano Nacional de Educação e nos planos estaduais e municipais de educação.
A derrota do governo federal foi confirmada depois que os deputados votaram pelo não acolhimento do Substitutivo do relator, deputado Carlos Zarattini (PT/ SP), que previa os 100% para a educação. O placar apertado desta votação (220 a 211) mostra que o plenário ficou dividido no tema. Assim, o Projeto de Lei  aprovado é, na íntegra, o que saiu do Senado, sem aporte financeiro para a educação.
O que os deputados ignoraram é que este texto pode se transformar em um problema futuro. Segundo o relator, “ele não fecha em alguns pontos e não se sustenta, com equívocos de redação ou matemática”. Isso pode ser comprovado com a simples soma dos percentuais aprovados para os municípios e os estados. Feita a conta matemática, os índices previstos para vigorar a partir de 2019 somam 101% no caso dos contratos de concessão para o petróleo extraído da plataforma continental (mar), seja da camada pré-sal ou não. É nítido que a redação terá de ser refeita, para a retirada de 1%. Mas fica pergunta: o valor será retirado de quem?
Resta agora à Undime e às outras instituições ligadas à educação pressionar a presidenta Dilma Rousseff para não sancionar o texto aprovado. O veto faz-se necessário. Queremos que a Meta 20 do Plano Nacional de Educação, que prevê investimento de 10% do PIB no setor, seja possível. O governo federal agora terá de buscar novas fontes para este investimento, essencial para atender aos desafios existe ntes na educação pública brasileira que envolvem acesso, permanência com aprendizagem e qualidade.
Para saber quais são os deputados que votaram a favor dos 100% dos royalties para a educação, clique aqui. Quem votou “não”, votou a favor do Substitutivo do deputado Carlos Zarattini e a favor da educação.

Carta Maior


O MACARTISMO À BRASILEIRA
'Estamos assistindo ao surgimento de um macartismo à brasileira. A  Ação Penal 470  transformou-se em um julgamento político contra o PT.  O que se acusa como crime são as mesmas práticas reputadas apenas como ilícito eleitoral quando se trata do PSDB, que desfruta de todos os atenuantes  daí decorrentes. É indecoroso. São absolutamente idênticas. Só as distingue  o tratamento político diferenciado  do STF, que alimenta assim a espiral macartista. O mesmo viés se insinua com relação  à mídia progressista. A publicidade federal quando dirigida a ela é catalogada pelo macartismo  brasileiro como suspeita e ilegítima.Dá-se a isso ares de grave denúncia. Quando é destinada à mídia conservadora , trata-se como norma.  O governo erra ao se render a esse ardil.  Deveria, ao contrário, definir políticas explícitas de apoio e incentivo aos veículos que ampliam a pluralidade  de visões da sociedade  brasileira sobre ela mesma.  Sufocar economicamente e segregar politicamente a imprensa alternativa é abrir espaço ao macartismo à brasileira". (Bernardo Kuscinsk, professor e romancista, autor do premiado 'K', a angustiante romaria de um pai em busca da filha nos labirintos da ditadura militar brasileira).
(Carta Maior; 5ª feira/08/11/2012)

Física na Veia /São João/ blog

::: KEPLER PARA (RE)INTERPRETAR O SIGNIFICADO DO ANIVERSÁRIO :::

hansdonner.com

Sempre que faço aniversário ou vejo qualquer outro terrestre completando mais um ano de vida fico imaginando o significado físico (e absolutamente terrestre) desta data. No fundo, o que se comemora é mais uma volta (completa) no Sol de carona com a Terra. Por convenção, esta volta (que chamamos de ano) tem aproximadamente 365 dias de 24 horas cada um. Uma análise mais realista desta ideia você encontra neste post que aborda o problema do ano bissexto).
Em outras palavras, quando você faz aniversário, a Terra está passando pelo mesmo ponto de sua órbita (em torno do Sol) em que se encontrava quando você nasceu. Isso também quer dizer que a paisagem estelar, vista daqui da Terra, que vai mudando a cada dia, voltou a ser a mesma. Se no imenso carrossel do Sistema Solar, a Terra, o terceiro planeta, retornou para um mesmo ponto da órbita, então o céu (de estrelas) que se pode ver daqui da Terra e do mesmo local do seu nascimento é o mesmo que se via quando você deixou o ventre da sua mãe. Temos o mesmo fundo de estrelas, com as mesmas constelações, nos mesmos lugares. Só os planetas, que têm movimento próprio ao redor do Sol (e detectável por nós) vagam sobre o fundo fixo de estrelas. Aproveito para destacar que o movimento de laçadas dos planetas contra o fundo fixo de estrelas foi tema da prova do ENEM 2012 realizada no último sábado (veja aqui, no site do Sistema Anglo, esta e outras questões do ENEM muito bem resolvidas pelos meus colegas do Sistema Anglo de Ensino).
Falei sobre a Física do aniversário pela primeira vez aqui no blog em 2004 (confira neste post), quando o blog ainda nem tinha completado seu primeiro ano de vida. Em 2007 voltei a falar desta "regularidade" do céu para tentar explicar o que é um signo astrológico, mostrando inclusive que deveríamos ter 13 sígnos em vez de 12 (confira neste outro post). Em 2008, noutro aprofundamento, fiz um "hodômetro para terráqueos" (em javascript) que permite calcular quantos quilômetros você já viajou ao redor do Sol (de carona com a Terra) deste o dia do seu nascimento. Ficou divertido! (confira aqui) Em 2009 voltei a falar (neste post) desta ideia fixa que me persegue já há muito tempo, desde criança, quando entendi o funcionamento do Sistema Solar!
Hoje, voltando ao tema recorrente, quero abordar o aspecto abolutamenteterrestre da comemoração do aniversário. Digo (e até sublinho) terrestre porque o ano é uma medida de tempo feita no referencial da Terra. Em qualquer outro planeta, a volta completa no Sol demora um tempo diferente. Quem nos ajuda a entender tal ideia é Johanes Kepler (1571-1630) e a sua Terceira Lei(abordada e até deduzida noutros textos aqui publicados, como neste post).
Segundo Kepler:
T² = K.a³
onde:

  • T, chamado de período, é o tempo que um planeta demora para completar uma volta ao redor do Sol; 
  • a é o semieixo maior da órbita elíptica do planeta ao redor do Sol (que coincide com a distância média do planeta ao Sol, ideia mostrada nestepost); 
  • K é uma constante que (como mostrado neste post) depende apenas da massa do corpo central da órbita (no caso do Sistema Solar, Kdepende apenas do Sol).

Sendo assim, para todos os corpos que orbitam o Sol, incluindo os oito planetas (e também Plutão, um planeta anão), podemos escrever o valor constante K = T²/a³:

Para a Terra consideramos T = 1 ano a = 1 UA (1 unidade astronômica), lembrando que 1 UA = 1 distância média Sol-Terra = 149,6 milhões de quilômetros). Nestas unidades, K = 1²/1³ = 1 ano²/(UA)³. Desta forma podemos facilmente calcular quanto tempo (em anos) um planeta demora para completar uma volta ao redor do Sol.
A tabela abaixo apresenta as distâncias médias planeta-Sol (em UA) para o Sistema Solar.



Como exemplo de aplicação da Terceira Lei de Kepler, vamos calcular alguns valores de T.

  • Mercúrio (a = 0,387 UA)
     
  • Marte (a = 1,52 UA)
  • Plutão (a = 39,44)

E assim por diante...

Com a Terceira Lei de Kepler e as distâncias médias planeta-Sol (tabela acima), você mesmo pode calcular os outros valores de para os demais planetas do Sistema Solar. Experimente! Depois, pelo Google, você pode conferir as respostas!


Note que para Mercúrio e para Vênus, que possuem órbitas internas em relação à órbita da Terra, o tempo para dar uma volta no Sol é menor do que 1 ano. Para os planetas com órbitas externas, o tempo (ou período) T para dar uma volta no Sol vai crescendo. Para Plutão é de quase dois séculos e meio!

Voltando ao papo do aniversário, se eu (que hoje completo 49 anos) vivesse em Mercúrio, já teria dado 49/0,24 = 204,17 voltas no Sol e teria a idade de 204,17 "anos mercurianos". Em Marte eu teria 49/1,88= 26,06 "anos marcianos". Em Plutão eu ainda não teria dado nem 1/5 de volta ao redor do Sol e, portanto, não teria nem um "ano plutoniano"!
Os cálculos acima ratificam o que eu disse (e sublinhei) logo no topo do post: a nossa contagem de tempo para saber a idade de uma pessoa usando o planeta Terra como relógio é somente uma medida terrestre do tempo.

Já publicado aqui no Física na Veia!





Um forte abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (@Dulcidio)
às 17h15